Investir em relacionamento para não ficar fora do mercado

Investir em relacionamento para não ficar fora do mercado

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19 de julho de 2018 | 16h42

Foto: Pixabay

Por Simone Tavit Panossian Vilela* 

Quando pensamos na carreira profissional, entendemos que ela se constrói a cada experiência vivida: desde a graduação que se escolhe, nos estágios obtidos, nas passagens pelas empresas, em diversas especializações, viagens, mas, principalmente, por meio dos relacionamentos.

Muitos profissionais atualmente encontram-se fora do mercado de trabalho não por falta de suas competências técnicas, mas pela ausência de competências comportamentais. As primeiras tornam o profissional elegível para as oportunidades oferecidas pelo mercado, porém são as últimas que realmente impactarão na permanência desta pessoa dentro da companhia – em alguma promoção ou fatalmente por ocasião de uma demissão.

Impossível não olhar para o alarmante número de pessoas fora do mercado de trabalho. São quase 14 milhões de profissionais, além do montante de jovens que se forma por ano em uma graduação no Brasil – mais de um milhão de novos concorrentes.

As estatísticas apresentam um cenário cada dia mais exigente, com a necessidade de profissionais munidos de competências diversas, uma vez que as próprias companhias buscam fôlego premente ao se reciclar, criando postos até então inexistentes.

Segundo o empresário e consultor Hamilton Baez, da HB Consulting, em um mercado extremamente competitivo como o atual, as empresas demandam: integridade e coerência, visão do negócio, trabalho em equipe, autocontrole das emoções, visão no cliente, agilidade na tomada de decisões, flexibilidade, capacidade crítica e de liderança.

Outra valiosa característica reconhecida pelo mercado é o intraempreendedorismo, em que o profissional empreende dentro da própria companhia com uma espécie de visão de dono, mesmo sendo apenas um funcionário, gerando mais compromisso e engajamento com os objetivos da empresa.

As competências citadas fazem do candidato alguém com alto grau de empregabilidade e isso é louvável. Mas há quem pense em se tornar “empreendedor de si mesmo”, ao identificar aquilo que desempenha muito bem, buscando oportunidades de negócio também fora da empresa, caso já esteja empregado. Ele desenvolve não só a sua empregabilidade, mas a chamada “trabalhabilidade”.

O termo surgiu devido ao fato dos muitos profissionais que não encontraram seu lugar ao sol em pleno período de aguda crise econômica e vislumbrarem uma saída ao refletirem sobre como remediar a situação, mesmo que informalmente. O interessante é que muitos descobriram uma nova fonte de renda que, em alguns casos, tornou-se mais prazerosa do que a anterior.

Mas para que tudo isso seja possível, tanto o incremento do currículo para alavancar o plano de carreira dentro de uma companhia, quanto o empreendimento de um novo negócio, é fundamental saber se relacionar: como agir sob pressão com superiores e liderados, parceiros e contatos estratégicos, com networking pessoal e também frequentando encontros profissionais do mesmo setor.

Sim, investir em relacionamento dá trabalho, porém aumenta significativamente a possibilidade de você não ficar mais de fora do mercado.

* Coordenadora do Departamento Gestão de Carreiras da Fundação Armando Álvares Penteado

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