Licença TPM melhora o clima na empresa

Ligia Aguilhar

15 de fevereiro de 2011 | 16h00

De repente o toque do telefone parece mais irritante do que de costume.   O relatório de todos os dias vira motivo de estresse. A pressão do chefe se torna insuportável e desencadeia uma crise de choro compulsiva. Para aliviar, um chocolate no meio da tarde, afinal, você acordou com o pé esquerdo, certo? Errado. Tudo isso pode ser consequência da temida tensão pré-menstrual (TPM), mal que acomete 42% das brasileiras.

Se lidar com a TPM todos os meses já é ruim, trabalhar nesses dias é ainda pior. E se as mulheres não conseguem expor o problema para o chefe, tampouco conseguem escondê-lo. Na agência de comunicação Imaginosfera, por exemplo, uma funcionária quase foi demitida por causa da queda na produtividade e da falta de paciência com os colegas de trabalho. Quando os donos da agência descobriram que a alteração no humor estava relacionada ao período menstrual, decidiram criar a licença TPM.

Todos os meses as funcionárias podem se ausentar da empresa no seu período de tensão e trabalhar de casa.  Cada uma administra a folga da maneira que desejar, desde que não atrapalhe o fluxo de trabalho.  “O primeiro retorno foi a própria postura da designer e do restante da equipe.   A sensação de ambiente livre marcou o clima da empresa, tornando-o mais leve e produtivo”, diz o sócio-diretor da agência, Bernardo Puhler.

Se a sua empresa não tem uma ação parecida, não fique estressada! É possível amenizar os males da TPM com alguns cuidados.   Segundo o médico ginecologista Eliezer Berenstein, há diferentes tratamentos de acordo com o tipo de TPM. Para a do tipo A, que causa ansiedade e agressividade, exercícios de ioga, pilates e meditação podem ajudar.   Já para o tipo C, causadora da compulsão, o ideal é abolir laticínios do cardápio durante o período e optar por uma alimentação leve.   Já quem tem a do tipo H, que causa inchaço e dores no corpo, deve evitar o consumo de sal, pimenta e alimentos que retém líquido.  Por fim, a do tipo D, cujos sintomas são depressão e desânimo, pode ser amenizada com exercícios físicos.

Tudo isso, no entanto, é paliativo.   “A TPM é uma doença e precisa de tratamento”, diz Berenstein, que defende o apoio no tratamento e diagnóstico do problema pelas empresas.   “Quando uma companhia elimina a TPM, aumenta a produtividade, criatividade, reduz o índice de absenteísmo e melhora a satisfação interna.”

(Matéria publicada no caderno Empregos em 13/02/2011)

Tudo o que sabemos sobre:

estresselicença tpmmulherTPMtrabalho

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.