“Morte da carreira?”

Claudio Marques

23 de março de 2014 | 08h09

 

Por Elisabete Adami Pereira dos Santos*

Existem alguns conceitos que começam a se multiplicar em um determinado momento e se tornam buzz word, ou nesse caso, fazendo uma analogia, um buzz concept, ou seja, como a meninada se expressa, o conceito “da hora”.Isso é preocupante na medida em que, dependendo da área em que estamos, eles causam estragos, às vezes desmedidos.

Não indo muito longe, há uns 30 anos, o conceito, ou a buzzword “reengenharia” causou danos grandiosos. Não a reengenharia em si mesma, que é uma ferramenta de gestão poderosa e bastante útil, mas o que fizeram dela e com ela.

Esse “o que fizeram dela” e, de qualquer outra coisa que se torna buzzword é o que nos inspira aqui. A buzzword nasce, quase sempre, de uma generalização e generalizações são perigosas: situações ou usos particulares que são estendidas, ampliadas, tendendo ao infinito.

A área maior em que militamos, Administração, já é terreno farto para isso, e a subárea, RH ou contemporaneamente chamada de Gestão de Pessoas, é terreno fartíssimo. Dizia um ex-professor meu da graduação na FGV, sobre os amadores “palpiteiros”: “RH é como piscina de criança, dá pé para todo mundo”.

O conceito “da hora”, no momento, é “a morte da carreira”! Obviamente que estão acontecendo movimentos diferentes em termos de carreira, e muito se tem falado em “carreiras sem fronteiras”, em que a carreira não é de propriedade da empresa, mas do indivíduo, e ele a “leva” para onde for, ou então de carreira “proteana”, nome inspirado no deus da mitologia grega Proteu, que tinha o poder de se metamorfosear quando achava necessário.

Significa, quando se fala em carreira, que ela pertence ao indivíduo, e ele a transforma de acordo com as suas necessidades…psicológicas.

Coloquemos então as coisas nos seus devidos lugares: 1) isso é uma tendência, mas não é o mundo real na sua totalidade; 2) existem setores da economia que trabalham ainda baseados em modelos tradicionais; 3) organizações dos setores mais avançados, como os de TI, não são dominantes, ou seja, não empregam massivamente; e em último lugar, mas certamente não menos importante, se lembrarmos das “âncoras de carreira”, apresentadas neste espaço há algumas semanas, ainda existem muitas pessoas cuja âncora é a da segurança e estabilidade.

Essas e outras pessoas cujas âncoras são a técnico-funcional ou a gerencia geral, não querem, seguramente, ficar “carregando” sua carreira por aí.

* Professora da PUC

Envie sua questão sobre carreira ou profissão para empregos.estado@estadao.com

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