Movimentar a carreira fora da zona de conforto leva a novas aprendizagens
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Movimentar a carreira fora da zona de conforto leva a novas aprendizagens

A mudança de emprego em busca de novos desafios exige coragem, mas traz autoconfiança e resiliência para fatos inesperados, diz a especialista Ylana Miller em artigo

Ylana Miller

01 de julho de 2019 | 10h22

Lembro quando iniciei a minha carreira e a maioria dos profissionais da equipe tinha no mínimo 12 anos de empresa. Há 30 anos era incomum se movimentar, buscar novas oportunidades no mercado de trabalho. O objetivo da grande maioria era se perpetuar por muitos anos na mesma empresa, se possível se manter até a aposentadoria.

Hoje, a palavra movimento marca forte presença quando planejamos as nossas trajetórias de carreira. Ficar no mesmo cargo por muitos anos, em especial quando não há mais perspectiva de crescimento e desenvolvimento profissional, pode ser interpretado como acomodação.

No mês passado um sobrinho, jovem advogado com ótimo potencial, pediu demissão do escritório em que trabalhava há quatro anos. Era o seu primeiro emprego, mas não percebia novas oportunidades de crescimento a curto e médio prazos. Alguns podem pensar que jovens decidem com mais facilidade porque gostam de novos desafios e não são avessos à mudança. Não podemos generalizar. Michel tem 24 anos e não traz essa inquietude no seu jeito de ser. Para ele, mudar, errar ou se frustrar gera um desconforto.

Desta vez, foi diferente. Analisou os prós e contras, teve o apoio da família, conversou com profissionais que considera como mentores e se encheu de coragem para pedir demissão e encarar novos desafios. Fácil não foi, mas esse inconformismo saudável já está levando o jovem a novos ambientes de aprendizagem. No próximo mês será admitido em um escritório de advocacia renomado com boas perspectivas de desenvolvimento profissional.

Escolhas da carreira com riscos calculados pode nos levar em busca de propósito com sucesso. Foto: Pixabay

Sair da zona de conforto exige coragem e não ter medo de errar. A paralisia que o medo causa poderia ser muito mais nociva à sua carreira e a de todos que um dia deixaram de tomar essa atitude frente a uma situação semelhante. Da forma como a história foi descrita parece que tudo ocorreu rapidamente, da noite para o dia, e o final feliz já chegou. Acredito nessa energia positiva e na agilidade que acompanham a renovação. Tudo parece conspirar a favor de quem se mexe, de quem sai da zona de conforto. Daí a celebrar um final feliz seria muito precipitado.

É momento de parabenizar pelo empoderamento na carreira e pela tomada de decisão, além de celebrar o início de uma nova trajetória, que também terá pontos fortes e situações que não serão tão encantadoras. A partir de agora, em situações que exijam uma tomada de decisão difícil, Michel terá uma força interior diferente: a autoconfiança. Se sentirá mais fortalecido para considerar novas alternativas, sempre que necessário. E no percurso desenvolverá mais resiliência para encarar algum fato que pode vir a ocorrer de forma inesperada, diferente do planejado.

A nossa carreira é a soma das nossas escolhas. Que a história desse jovem sirva de inspiração e estímulo. Planejar a carreira nos movimentando com uma dosagem de riscos calculados pode nos levar em busca do nosso propósito com mais assertividade e sucesso.

* Ylana Miller é especialista em recursos humanos, professora de pós-graduação e
sócia-diretora da Yluminarh – Desenvolvimento Profissional (ylana@yluminarh.com.br)

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