“Na vida profissional e na pessoal tem de ser protagonista”

“Na vida profissional e na pessoal tem de ser protagonista”

Executivo tem como objetivo produzir resultados significativos e fazer com que as pessoas tenham prazer em trabalhar na Monsanto

Claudio Marques

22 de julho de 2014 | 10h08

Rodrigo Santos, de 41 anos, é presidente da Monsanto do Brasil desde 2013. Engenheiro agrônomo formado pela Universidade de São Paulo (Esalq-USP), com MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)/ Ohio University, está na companhia há 16 anos e já passou por diferentes cargos e setores. “Meu grande objetivo é que possamos produzir resultados significativos e que as pessoas possam ter prazer em trabalhar aqui”, diz. A seguir, trechos da entrevista.

Quando escolheu a profissão o que esperava que ocorresse em para sua trajetória?
Entrei na faculdade com 17 anos e não tinha muito claro o que queria fazer profissionalmente. Gostava muito de agronomia, mas não imaginava trabalhar em uma empresa multinacional, não tinha essa visão. Agora, passados 18 anos, dá para ver o quanto me encantei com o setor, por isso estou até hoje neste mercado.

Quando você começou a desenhar sua trajetória profissional?
No último ano da faculdade participei de uma dinâmica para um processo seletivo. A vaga era para a Syngenta, lá comecei a gostar das perspectivas da carreira. Fui selecionado e comecei minha trajetória nessa empresa, como representante técnico no sul de Minas Gerais. Fiquei quase três anos na empresa, depois vim para a Monsanto e estou aqui há 16 anos.

Como chegou à Monsanto?
Depois de quase três anos na Syngenta recebi um convite para se gerente de marketing em uma das marcas da Monsanto, e aceitei.

Você passou por quais cargos na Monsanto?
Logo depois que cheguei, tive a oportunidade de ser gerente de vendas na Região do Cerrado, com base em Goiânia. Fiquei quase três anos atuando nessa região. Depois, fui ser gerente de unidade de negócios no Sudeste e Nordeste. Tive uma grande experiência inicial em vendas e em liderança – comandava grupos de 60 pessoas com orientação para resultados. Após esse período na área de vendas tive uma passagem importante na área de marketing, em São Paulo, onde gerenciei um negócio de biotecnologia da Monsanto, com gestão de times multifuncionais. Em seguida fui convidado para liderar unidades da Romênia e da Bulgária. Aceitei e me mudei para Bucareste, fiquei lá por dois anos.

Como foi sua atuação nesse período?
Eu era um gerente geral, líder comercial, cuidando de todo o negócio. Foi uma experiência de general manager, que é gestão de pequenos negócios.

Quais foram os desafios e aprendizados nessa etapa?
Sem dúvida, essa talvez tenha sido a melhor e maior experiência profissional. Eu não conhecia nada e estava programando férias. Aproveitei e fui conhecer a Romênia, foi fantástico. Quando embarquei, diziam que tudo seria muito diferente, como cultura e região. Me lembro que logo na primeira semana fiz uma viagem de carro de três horas com meu gerente nacional, durante a viagem a conversa foi para o lado familiar – questões muito importantes para ele e para mim. Na minha passagem pela Romênia o que ficou evidente é que embora tenhamos cultura diferente, os valores são muitos similares. Consegui me conectar muito com o time e tenho até hoje uma relação muito próxima com eles. Nesse período, tive um dos melhores feedbacks ao longo de minha carreira, vinda de um representante de vendas. Ele disse que eu tinha ido lá para ficar dois ou três anos, mas que para eles era como se eu fosse ficar o resto da vida. Realizei projetos que foram se concretizar depois de cinco anos. Foi a melhor experiência profissional que tive, sem dúvida.

Essa experiência contribuiu para sua escalada profissional até a presidência?
Acho que ajudou. Mas contribuiu mais para exercitar a função que tenho hoje. A experiência profissional e de vida, de ter ido para um outro país com minha esposa, ter vivido lá por dois anos, essas duas experiências podem ter me ajudado a assumir a posição de CEO aqui no Brasil. No entanto, mais do que ter ajudado a assumir a posição de CEO, essa experiência me ajudou a liderar, para viver a posição que tenho hoje. A experiência de conhecer outras realidades me deu outras perspectivas.

Em que profissional você se transformou nesse contexto?
A primeira coisa é ter uma missão muito clara. Quem vem para a Monsanto deve ter muito claro a nossa razão de ser, que é ajudar a agricultura a produzir mais, conservar mais. Acredito que as pessoas que estão aqui, e vemos isso nas pesquisas organizacionais, estão muito conectadas com a nossa missão. É bacana fazer uma carreira profissional, mas também ter um impacto positivo para a sociedade. Não importa o cargo, estamos conectamos com essa missão. A função pode ser de controladoria, mas sua missão é ajudar a produzir mais e conservar mais. Essa conexão dos 2.700 profissionais com nossa missão é uma das coisas mais fortes que temos aqui. Quando todos têm isso muito claro, o resultado é uma consequência.

Você tem 41 anos e depois de 16 anos na Monsanto chegou ao cargo de CEO. Quais os próximos passos em sua carreira?
Tenho a expectativa de concluir um ciclo muito importante aqui no País, como presidente. Uma das coisas ao assumir essa posição, foi perceber que a agricultura brasileira pode ser exemplo para o mundo. Acho que a Monsanto do Brasil pode trazer bons exemplos para a Monsanto globalmente. Sem nenhuma arrogância ou pretensão, de uma maneira humilde e não omissa, pretendo fazer grandes coisas para a Monsanto do Brasil e ajudar a organização globalmente. Meu grande objetivo é que possamos produzir resultados significativos e que as pessoas possam ter prazer em trabalhar aqui. Gosto muito de escalar montanhas e fazendo um paralelo com a empresa, gostaria que tivéssemos resultados fantásticos, em relação aos nossos clientes, funcionários e acionistas, mas também que os funcionários aproveitassem a jornada aqui dentro. Gostaria que todos eles vivessem esses anos profissionais na empresa aproveitando ao máximo essa jornada.

É o seu objetivo de carreira?
Sim. Conduzir cada vez mais a organização da Monsanto do Brasil para grandes resultados, mas que as pessoas tenham aqui momentos profissionais inesquecíveis, que elas se divirtam aqui. Depois disso, eu não sei, ai eu penso.

Casado, com dois filhos e um terceiro chegando… 
Eu sou casado com a Paula. Tenho dois filhos, o Lucas de 5 anos e o Bruno de 4 anos, e minha mulher está grávida, agora vamos ter uma filha. Eles são a parte mais importante da minha vida. Tenho uma excelente qualidade de vida.

Como conciliar vida profissional e a pessoal?
Eu viajo muito, tenho pressão para apresentar resultados e tenho muitos desafios. Quando estou com minha família tiro o máximo desse momento. Aprendi que muito mais do que a quantidade de tempo, o importante é a qualidade do tempo que eu tenho com eles. Nos finais de semana, Lucas e Bruno decidem o que faremos. Aceito os desafios de ser presidente da Monsanto, de ter pressão por resultados, sei que precisarei viajar bastante, mas isso não me impede de também viajar com minha família. Assim como na vida profissional, na vida pessoal não dá para se vitimizar ou terceirizar, tem de ser protagonista. Estou super bem com isso.

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