“Não adianta falar, tem de mostrar e fazer”

“Não adianta falar, tem de mostrar e fazer”

Claudio Marques

13 de maio de 2013 | 08h37

Cláudio Marques

Matemática por formação, Monica Herrero descobriu seu gosto pela área de tecnologia da informação ainda jovem e iniciou sua carreira no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), onde, em 1982, fez um curso de formação na área e ganhou seu primeiro emprego. Em 1985, passou a atuar em pequenos bancos de investimento e a flertar com a área administrativa. “A grande vantagem de trabalhar em bancos de investimentos, como o Multiplic e depois o Garantia, é que, por serem bancos menores, acaba-se tendo muita interação com a área de negócios. E isso me possibilitou uma boa visão de negócios”, conta. “Depois do Garantia, vim para a Stefanini, onde estou até hoje. Faz quase 20 anos”, conta Monica, que é CEO da operação local. A Stefanini é uma multinacional brasileira de produção de softwares e, mais recentemente, de marketing digital. Atua em 30 países e possui 76 escritórios em 68 cidades. No total, são 17.000 funcionários, sendo 10.300 no Brasil. A seguir, trechos da entrevista. 

Monica aprendeu a importância de dar exemplo (Imagem: Marcos de Paula/Estadão)

A que motivo você atribui essa longa permanência na Stefanini?
Tem gente que busca desafios mudando de emprego. Eu sempre busquei os meus no local onde trabalhava e, depois, se não fosse possível, fora. E até pela própria história da Stefanini, o que não faltaram foram desafios nesses 20 anos, dada a história de crescimento da organização. E o bom de estar numa empresa que está crescendo é que você cresce junto com ela – foi isso o que aconteceu comigo. 

De qualquer maneira, para crescer junto com a empresa, você apresentou bons resultados. Qual foi fórmula?
Eu sempre fui uma pessoa focada em realizações. Para dar um exemplo do início da minha carreira, entrei no curso de matemática e logo depois eu percebi que queria TI. Mas não existia um curso superior na área e, mesmo achando que o curso de matemática não acrescentaria muito em minha carreira, eu finalizei o curso. Ou seja, eu tinha de ir até o final. Mais tarde, descobri, afinal, que o meu perfil era de administração e fui fazer uma pós na área. Então, eu sempre busquei em minha vida realizações focadas no ambiente de trabalho. As empresas do segmento financeiro capacitam muito as pessoas para trabalhar em cima de resultados, de metas, principalmente em banco de investimento. Então, apesar de eu ser de área técnica, eles, de certa forma, me preparam para ser uma pessoa que tem muito claro o objetivo e sabe onde quer chegar, mas muito baseada em alguns valores. Então, para mim, era muito claro que devia alinhar meus objetivos com os objetivos da empresa e buscar sempre o crescimento. Um degrau depois do outro, pois não acredito em dar um passo maior do que a perna, porque podemos tropeçar. Ao mesmo tempo, sempre contei com pessoas, com superiores na verdade, que foram mestres, que foram muito influenciadores na minha vida profissional. Tinham sempre grande capacidade, sempre me ajudaram, me apontaram o caminho para que eu pudesse crescer. Então, isso também ajuda.

E hoje, como CEO, você acha que também tem de ter esse papel de influenciar pessoas? E como se faz isso?
Com certeza. Eu tive aqui um mestre que sempre me falava: ‘Primeiro você tem de dar o exemplo’. Então, quando se fala em influenciar pessoas, talvez tenha sido isso o que eu tive na minha carreira: pessoas que não só falavam, mas faziam. Isso é importante, porque, para você liderar, não adianta falar, você tem de mostrar e fazer. Outra coisa é que eu sempre tive uma gestão participativa – esse é um pouco o meu perfil desde o início da carreira até hoje. Sempre trabalhei muito em equipe, muito próximo, na alegria e na tristeza (risos).

O você que mudou em você, pessoalmente e profissionalmente, ao longo do seu trajeto?
Eu acho que o que você vai aperfeiçoando, melhorando nesses anos todos, é focar mais naquilo que traz resultados. Então, você começa a priorizar melhor, a dar prioridade àquilo que na verdade pode trazer maior ganho. Não necessariamente no curto prazo, mas no médio e longo prazos. E você prioriza também a continuidade. Aqui na empresa falamos com orgulho de termos relacionamento com clientes no médio e longo prazos. Então, a questão é nunca pensar mais no curtíssimo prazo, é pensar sempre na “perpetualidade” daqueles atos que você está praticando.

Com base nisso tudo, quais as pessoas que você quer trabalhando com você?
Acho que temos de tirar aqueles que não queremos trabalhando com a gente no médio e no longo prazos. Eu diria que o time que eu tenho hoje trabalhando comigo é o time que quero que continue trabalhando comigo. Tanto em termos de superiores, de pares e de subordinados.

Mas quais são as qualidades desse time? Pelo menos dos subordinados.
São pessoas que, primeiro, querem fazer acontecer. Acho que isso é uma coisa superimportante, que são as pessoas que têm muita energia, que querem, acreditam que podem. O segundo ponto é a lealdade. É o compromisso, é você acreditar, estar próximo. Depois, há também todo o lado de conhecimento, aí estamos falando do nosso segmento especificamente. Eu hoje também tenho toda a parte de atendimento ao cliente, então, tenho de ter pessoas que gostam de servir. Afinal, eu estou numa empresa de serviços e, se eu não tiver pessoas na minha equipe que gostem de servir, eu não vou a lugar nenhum. 

Que dica você dá para quem está começando a carreira?
Primeiro é fazer o que gosta, ir buscar aquilo que tem um pouco do seu dom. Segundo é que a grande maioria do pessoal hoje só olha o que vai ganhar, mas não o quanto vai realizar, porque, como fazemos o que gostamos e somos desafiados o tempo inteiro, chegamos lá.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.