Nem tudo é glamour no dia a dia dos CEOS
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Nem tudo é glamour no dia a dia dos CEOS

Claudio Marques

10 Junho 2018 | 06h30

Eliane Sobral/ Especial para o Estado

Se o carro zero quilômetro já não é o sonho dos jovens que chegam à maioridade isso é um problema para os dirigentes desta indústria. Responder pela administração e rendimento do dinheiro de terceiros também não é sinônimo de boas noites de sono. E o que dizer de quem precisa garantir que a carga refrigerada chegue em boas condições a seus destinos quando as estradas estão travadas por caminhoneiros em greve?

Estar no topo da cadeia corporativa é o objetivo da maioria dos executivos, independente da nacionalidade ou do setor de atuação. Mas o dia a dia de um CEO normalmente tem mais espinhos do que pode fazer crer o status e os bônus inerentes ao cargo.

Depois de trabalhar em mercados estáveis como Alemanha, França e Estados Unidos, o francês Frédéric Sebaggh assumiu o comando das operações da alemã Continental e responde pelos negócios no Brasil, Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile. À exceção destes dois últimos, o dia a dia do executivo e seu time é uma difícil partida de xadrez para driblar crises políticas, econômicas, ou a combinação das duas ao mesmo tempo.

As chances de Sebaggh morrer de tédio parecem pequenas, mas ele diz que é um tanto frustrante estar diariamente no olho do furacão, tentando administrar variáveis que não se pode controlar. “Na América do Sul vivemos no topo do vulcão. É preciso muita flexibilidade para se adaptar a um cenário constantemente em mudança.” O resultado prático dessa volatilidade, diz ele, é a dificuldade em vencer países mais estáveis numa disputa por novos investimentos, por exemplo.

Há vagas – Quando assumiu o comando da Superfrio Armazens Gerais, em janeiro de 2016, Francisco Moura recebeu a incumbência de levar a companhia à liderança de seu mercado, até o ano de 2020 – atualmente a empresa ocupa o quarto lugar, segundo ele. “Temos uma meta bastante ambiciosa, uma estratégia muito bem desenhada mas o ambiente estabelecido no Brasil não é nenhum pouco favorável aos negócios”, diz o engenheiro especialista em logística.

Moura perdeu algumas noites de sono na semana em que os caminhoneiros pararam o Brasil e a carga refrigerada dos clientes esperava nas estradas. Ele não revela o tamanho do prejuízo mas diz que o resultado negativo do mês terá seu impacto no balanço do final do ano. “Você precisa garantir a qualidade do serviço prestado ao cliente, prestar atenção à concorrência, cuidar do time e estar preparado para adversidades como esta. Afinal, é preciso entregar o resultado positivo no fim do exercício e cumprir a estratégia de negócio traçada pelos acionistas”, completa.

Apesar dos percalços, o CEO da Superfrio quer atrair os jovens talentos que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho. “A área da logística está crescendo acima da média no Brasil e vai ter muita oportunidade de trabalho,”, afirma Moura que é um dos 23 participantes do CEO Por Um Dia, programa internacional da Odgers Berndtson, realizado no Brasil em parceria com o jornal O Estado de S.Paulo, a PDA Internacional, Machado Meyer Advogados e Centro de Carreiras da FGV Eaesp.

Esqueça Hollywood – O ambiente é favorável também para quem tem perfil de liderança e quer fazer carreira no outrora cobiçado mercado financeiro. Outrora porque o glamour acabou desde que a crise do subprime do mercado americano se alastrou derrubando economias mundo a fora.
Ainda é uma área com boa remuneração e bônus atraentes mas já não existe mais a época do toque de midas, em que se fazia dinheiro com muita facilidade e rapidez, segundo Carlos Zanvettor, CEO da Rio Bravo Investimentos. Hoje, lembra ele, os maiores gestores de Estados Unidos e Europa trabalham com métodos, processos e repetição de práticas o que torna o trabalho menos emocionante do que Hollywood costuma retratar.

“A crise de 2008 mudou o perfil do mercado e o modus operandi. Ainda assim, continua sendo um bom setor para se estar. É um ambiente desafiador e comporta profissionais de diversas formações”, avalia Zanvettor para quem, o maior desafio é estar antenado nas tendências, no que está por vir. “É antecipar crise e oportunidade. Especialmente oportunidades”, completa ele que tem sob sua responsabilidade a gestão de um fundo de investimentos da ordem de R$ 12,6 bilhões.

Bola de Cristal – Se não chegam a causa insônia no CEO da Rio Bravo, a imprevisibilidade da economia brasileira e os constantes vai e vem na política elevam, e bastante, a tensão no dia a dia do executivo e de seu time. “Ter os melhores talentos na minha equipe não é só um desejo. É uma questão de entregar ou não os resultados”.

Eduardo Centola, CEO do Banco Modal e também participante do programa CEO Por Um Dia, concorda que montar um time capaz de lidar com as adversidades e aprender a delegar a administração do dia a dia é parte indispensável da receita. Porém, segundo ele, tem uma coisa que sempre vai sobrar para o CEO e o conselho de administração, que é responder o que vai acontecer no futuro próximo.

E a pergunta não se resume ao cenário político-econômico, diz o executivo. A tecnologia vai mudar todos os setores da economia, inclusive os bancos. Vai mudar a forma como se lida com clientes, como se ganha dinheiro. “Você pode ser um excelente CEO, formar uma bela equipe e entregar os melhores resultado mas, se acontece algo que você não percebe, pode esquecer”, decreta Centola.

A capacidade de administrar as variáveis do imponderável, entregar o resultado esperado pelos acionistas e manter funcionários motivados são as credenciais necessária para ingressar, e permanecer, no topo da cadeia de comando do mundo corporativo. Em breve, os 23 universitários selecionados no programa CEO Por Um dia vão ver como isso se dá na prática.

 

Eduardo Centola, CEO do Banco Modal