“Nunca consegui fazer nada sozinho”, diz presidente da Alelo
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“Nunca consegui fazer nada sozinho”, diz presidente da Alelo

Eduardo Gouveia gosta do seu jeito informal e defende a necessidade de criar times complementares para o sucesso dos negócios

Claudio Marques

26 de agosto de 2014 | 10h00

Cláudio Marques

“Minha carreira é feita, não de ruptura, mas de movimentos bacanas”, afirma o presidente da Alelo, empresa de cartões-benefícios, o pernambucano Eduardo Gouveia, de 50 anos. E de risco, acrescenta ele, que se considera um empreendedor corporativo: “Se me perguntarem onde me encaixo bem, vou dizer ‘me põe para construir junto’, pois eu vou fazer relativamente bem. Gosto de crescimento, rentabilizar uma empresa e de desafio”.

E, ressalta, também gosta de trabalhar com gente. Quando esse gosto ficou claro, ainda cedo na carreira, trocou a área de tecnologia do Banorte, onde entrou aos 18, 19 anos como programador, então estudante de ciências da computação na Universidade Federal de Pernambuco, para atuar na área comercial da instituição.

Foi o primeiro ‘movimento bacana’ e o começo de um trajeto que seguiu pela área executiva. Mais tarde, virou empresário por cinco anos e voltou ao mundo corporativo, passando por empresas como Bom Preço, Walmart, Visanet/Cielo Multiplus e Alelo, empresa de cartão-benefício e pré-pago, onde está há cerca de um ano. A seguir, trechos da conversa.

Primeiro emprego
Passei cinco anos na área de tecnologia do Banorte, e percebi que não iria ser feliz. Eu queria trabalhar mais na área comercial, queria trabalhar com gente. Desde cedo vi que gostava de trabalhar com pessoas.

Empresário
Como gerente geral de agência, eu ajudei um cliente, uma distribuidora exclusiva Brahma/Ambev, a criar um plano de desconcentração do negócio. Nessa discussão, os donos, dois irmãos, me convidaram para ser sócios deles numa corretora de seguros e numa distribuidora de produtos para baixa renda, na periferia do Recife. Aí pedi demissão do banco e fui de mala e cuia montar as empresas com eles.

Opção pelo casamento
Também montei uma outra operação da seguradora, em Salvador. Após cinco anos como empresário, fui comemorar 10 anos de casado. Quando terminei essa segunda lua de mel, decidi voltar para Recife para recuperar o casamento. Morava em Salvador e minha mulher e filhas viviam em Recife. Resolvi jogar tudo para cima, dar cinco passos para trás e voltar. Recuperar minha família foi a decisão mais correta que tomei na vida. Vendi minhas participações na corretora e na distribuidora, mas reconquistei minha família.

Executivo novamente
Um ex-cliente da área corporate do banco, era CFO da rede Bom Preço, o Marcelo Silva, me convidou, em 1998, para ser o gerente-geral da Hipercard. Era uma empresa de cartão de crédito lá do grupo Bom Preço, o maior varejista do Nordeste. Eu aceitei e resolvi voltar para a vida de executivo. Houve uma pequena fase de reeducação de um ex-executivo que virou empresário e voltou a ser executivo. Mas logo estava curtindo muito o projeto, porque a empresa era bacana, tinha uma penetração muito forte no mercado do Nordeste. E o Marcelo Silva, que era focado em pessoas, me ensinou a gostar de gente genuinamente.

Marketing de varejo
Depois de três anos, estavam querendo criar uma diretoria de marketing do varejo. Nessa época, fazia MBA em marketing na FGV, e a empresa entendia, principalmente o Marcelo Silva, que eu poderia ser o diretor dessa área. Argumentei que não entendia nada do assunto, mas o Marcelo disse que era uma missão e que eu daria certo no posto, pois era um cara de bom senso, trabalhador, que seria bom para mim, para minha carreira e para e a empresa. Aceitei e foi mais um aprendizado bacana.

São Paulo
Três anos depois, o Bom Preço foi vendido para o Walmart. Estava com 40 anos, era diretor de marketing do Bom Preço, uma rede super complexa, que tinha 150 lojas e era uma marca muito forte. Para minha grata surpresa eu fui chamado pelo presidente do Walmart para ser o VP da área no Brasil.

Cartões
Depois de dois anos aqui em São Paulo, fui procurado por um head hunter para uma posição de VP de vendas e marketing da Visanet, que agora é a Cielo. Aceitei e participei de toda transição para a Cielo, de ver uma empresa fechada, para a abertura de capital e da mudança de marca de Visa para Cielo.

Multiplus
Quatro anos depois, recebi um convite da TAM para ser o primeiro presidente da Multiplus – eles estavam fazendo o spin off do TAM Fidelidade. Aceitei o desafio, era um projeto, um startup, não havia sistema, não havia gente, não havia processo e fui o primeiro presidente da Multiplus. Foi um projeto belíssimo, a empresa chegou a valer mais do que a TAM, e montei um case bacana de fidelização aqui no Brasil, inaugurou um segmento. Depois de quase quatro anos lá na Multiplus, eu fui procurado para tocar um case muito bacana, uma empresa linda aqui B2B2C, para dar uma trabalhada em processo, em vendas, e fazer um trabalho forte do crescimento do negócio.

Diferencial
Na minha carreira de 30 anos, 31 anos, eu diria que o grande diferencial foi ter passado por várias áreas. Ajuda o profissional a ter visão um pouco mais holística. Trabalhei em finanças, tecnologia, marketing, produtos, comercial, fidelização, em cartão de crédito, em varejo, em banco – isso me ajudou.

Você então se definira como empreendedor corporativo?
Eu gosto dessa expressão. Primeiro, eu gosto muito de gente, gosto de estar junto, misturado, mas o projeto precisa ter propósito e precisa ter perspectiva. Eu gosto de construção. Se me perguntar onde eu me encaixo bem, eu vou dizer me põe para construir junto, eu vou fazer relativamente bem. Eu gosto de crescimento, rentabilizar uma empresa, eu gosto, então eu gosto de desafio.

O que é preciso fazer para atingir altos cargos?
Em primeiro lugar, gente é tudo. Nunca consegui fazer nada sozinho. Montar um time bacana, multifuncional, com competências complementares torna o time forte, vencedor. Eu gosto muito de pessoas, e gosto muito de trabalhar também. Eu sou um cara que me dedico muito aos projetos. E isso faz diferença.

O que mais admira em você?
Do meu jeito informal. Ser informal, ser próximo, estar junto às pessoas, fazer parte do time, essa relação é coisa que, teoricamente, eu acho que faço bem. Gerar confiança, gerar empatia nas pessoas. Também gosto do meu shape (risos).

E o que você não gosta?
Eu sou ansioso. Na verdade, eu não me acho muito, mas as pessoas dizem que sou.

Isso faz com que você exija mais da equipe?
Faz. Eu sou um cara exigente, gosto de ver as coisas bem feitas. Então, eu sou um cara exigente e ansioso. Tento me reeducar no dia a dia, estou mais controlado. Sou exigente, mas sou comigo também.

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