O poder de se colocar no lugar do outro e ter empatia

O poder de se colocar no lugar do outro e ter empatia

Empatia e liderança devem caminhar juntas em todos os momentos na gestão de pessoas, em processos admissionais ou demissionais

Ylana Miller

06 de janeiro de 2020 | 08h00

A empatia é um tema que vem sendo recorrente nas minhas reuniões de trabalho, conversas com clientes e interações com alunos. Infelizmente, na maioria das vezes os relatos trazem vivências que demonstram ausência total desse nobre sentimento. O que está havendo na nossa sociedade? Será que se relacionar de forma empática se tornou uma raridade ou um privilégio de poucos? 

Estamos falando sobre a capacidade psicológica de sentir o que a outra pessoa sentiria, se estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Ao perceber que um colega de trabalho está tenso em função da defesa de um projeto ou de uma apresentação em público, por que não se aproximar para tranquilizá-lo ou ajudá-lo a treinar mais? E que tal apoiar os que estão em busca de uma nova oportunidade profissional?

Com frequência converso com profissionais desempregados, que comentam sobre o afastamento de colegas de trabalho que se distanciaram como se estivessem com uma “doença contagiosa”. O que é isso? Insensibilidade ao ponto de não se colocar no lugar do outro e oferecer uma ajuda de forma genuína? Esse déficit de empatia também pode estar sendo estimulado por uma cultura narcisista, que limita o interesse pelas outras pessoas. 

Sabemos que faz parte do papel da liderança tomar decisões impopulares, mas que tal comunicar um processo demissional de forma respeitosa? Soube de profissionais que foram informados sobre o seu desligamento da empresa quando tentavam inserir a senha e o sistema acusava bloqueio. Ao entrarem em contato com a área de TI foi explicado que o acesso não seria possível, em função do seu processo demissional a partir daquela data. Outros, que após vinte e três anos de trabalho na mesma empresa foram escoltados por um segurança, desde o momento de arrumar os seus pertences até a porta de saída da empresa. Difícil encontrar adjetivos para definir cenas como essas.

Foto: Mohamed Hassan/Pixabay

Empatia e liderança devem caminhar juntas em todos os momentos na gestão de pessoas, seja em processos admissionais ou demissionais. Não importa a situação. Um líder que não se relaciona com empatia é autocrático, desrespeitoso e não sabe ouvir. Na maioria das vezes gera baixa produtividade e conflitos, além de alta rotatividade na empresa. 

Quando saímos do nosso próprio ego e entramos na vida de outros, somos seres maiores. Sem empatia somos bem menores do que podemos ser. Uma liderança empática constrói relacionamentos humanizados, com preocupação, sem paternalismo ou caridade. 

Empatia é conexão. É aproximar pelas diferenças, sem causar competição ou inimizade. Não é um exercício fácil, pois exige o desenvolvimento de habilidades complexas. E, acima de tudo é preciso ter interesse genuíno pelas pessoas. Que venha 2020 com mais sensibilidade empática nas relações pessoais e profissionais!  

* Ylana Miller é especialista em Recursos Humanos e sócia-diretora da Yluminarh – Desenvolvimento Profissional. ylana@yluminarh.com.br

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