Os atributos das empresas dos sonhos – Última parte

Teoricamente, cada profissional tem suas próprias âncoras de carreira e, a partir delas, direciona seu futuro na profissão escolhida

Claudio Marques

29 de julho de 2014 | 10h00

Por Elisabete Adami Pereira dos Santos – professora da PUC

Nos dois artigos anteriores, analisei de forma resumida duas variáveis da pesquisa da Universum Global – encomendada pela Exame.com –, feita com jovens de 23 países: vinculação entre vida e carreira, aspecto esse relevante nos resultados, e a importância dada à segurança no emprego.

No artigo precedente, prometi fazer nesta semana uma retrospectiva da pesquisa e a vinculação de aspectos/variáveis da mesma com algumas categorizações das âncoras de carreira, teoria definida e popularizada por Edgar Schein.

Ele define âncora de carreira como o conjunto de necessidades, de valores e de talentos de que a pessoa se mostra menos disposta a abdicar quando confrontada com a necessidade de escolher. Teoricamente, cada profissional tem suas próprias âncoras de carreira e, a partir delas, direciona seu futuro na profissão escolhida.

São oito as âncoras definidas por Schein: segurança e estabilidade; autonomia e independência (AI); competência técnica/funcional; criatividade empreendedora; estilo de vida; serviço/dedicação a uma causa; competência gerencial geral e puro desafio.

Em relação à pesquisa da Universum Global são utilizadas nove categorias que representam os desejos dos jovens relativamente a suas escolhas de carreira e de empresa. Ter: 1) qualidade de vida, 2) estabilidade ou segurança no emprego, 3) uma carreira internacional, 4) independência ou autonomia; ser: 5) desafiado intelectualmente ou competitivamente, 6) líder ou gestor de pessoas, 7) empreendedor ou criativo/inovador, 8) um especialista técnico, e, 9) dedicar-se a uma causa ou sentir que serve a um bem maior.

Internacional. A diferença entre a construção dos atributos das âncoras e a da pesquisa está na existência da carreira internacional, e que é quase autoexplicativa: o fenômeno da globalização, de um lado, e o desejo, quase universal, dos membros da geração Y de viajar em experiências de intercâmbio, conhecendo novos países, novas culturas, de outro.

Outro atributo que se destaca na pesquisa é o de foco na dedicação a uma causa. Na maior parte dos países da Europa, com relevância maior no Norte, ele fica classificado em 3º ou, no máximo, em 4º lugar. No Leste Europeu, porém, a relevância é mínima. Para os países da América do Norte, excluindo o México, esse atributo também é importante. E o Brasil, por sua vez, coloca o atributo em 3º lugar.

Esse enfoque privilegiado nos permite afirmar que os jovens atuais, da chamada geração Y, se preocupam com causas sociais, políticas e ambientais, muito mais do que as gerações passadas.

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