Por que não devemos automatizar toda a gestão de pessoas nas empresas

Por que não devemos automatizar toda a gestão de pessoas nas empresas

Encontrar o equilíbrio entre a automação dos processos e a interação humana é a chave para a eficiência nas atividades relacionadas à gestão de pessoas

Rafael Kiss*

07 de janeiro de 2022 | 15h00

A Revolução Industrial transformou a forma das empresas produzirem e, também, os processos de trabalho no universo corporativo. A partir desta disruptura na forma de se produzir, as pessoas passaram a buscar tecnologias capazes de trazer mais eficiência para suas tarefas diárias. Atualmente, realizamos isso de forma tão automática que nem percebemos que, até os dias atuais, somos influenciados por um conceito que se iniciou em meados do século 18.

Contudo, mesmo que não percebamos o quanto este conceito antigo ainda impulsiona o desenvolvimento das empresas, seguimos em uma busca constante pela ampliação da eficiência. Durante o século 20, esta procura das companhias esteve focada, em grande medida, em tecnologias que permitissem a sofisticação da linha de produção, principalmente visando à redução de custos e à sua ampliação. É evidente que este foco assegurou avanços extraordinários em diferentes setores, como, por exemplo, automotivo, agroindústria, varejo e etc.

À medida que as empresas avançaram neste processo, um ponto começou a ficar evidente para muitos gestores: Não seria possível ser plenamente eficiente se ela não modernizasse, também, seus processos administrativos. Em especial, aqueles que interferem diretamente na força de trabalho. Por este motivo, nos últimos anos, a automação da área de Recursos Humanos passou a ser uma das principais prioridades das empresas, principalmente nos últimos tempos, com o novo cenário imposto pela pandemia da covid-19.

Reunião de Empresa

Tecnologia deve liberar tempo de profissionais para tarefas mais nobres, como lidar com as peculiaridades da interação humana. Foto: Unsplash/Christina Wocintech

Se antes os processos de automação implementados pelas empresas consistiam na aplicação da tecnologia para acelerar um processo produtivo, agora, na área de RH, os gestores se depararam com o desafio de automatizar atividades que estavam, diretamente, relacionadas às relações humanas. Em muitos casos, impactando a vida e a rotina de milhares de trabalhadores.

Encontrar a forma de obter mais eficiência nas atividades relacionadas à gestão de pessoas, considerando as peculiaridades que envolvem a interação humana, foi o grande desafio enfrentado pelos gestores. Neste processo, observo alguns executivos da área de RH questionarem: Não seria mais eficiente contar com uma inteligência artificial na gestão de todas as atividades ligadas à gestão de pessoas?

A minha resposta para esta pergunta é sempre não. Cada empresa tem as suas necessidades e especificidades que não, necessariamente, serão plenamente atendidas por um sistema de inteligência artificial. Por isso, é preciso entender quais são as “dores” do negócio, o que precisa ser aprimorado, para, a partir disso, implementar automações que tragam realmente mais eficiência.

Quando a empresa consegue fazer esta análise, na maioria das vezes, ela percebe que existem processos administrativos da área de RH que estão tomando um tempo precioso dos profissionais e são justamente eles que podem ser automatizados.

Os negócios que conseguem implementar um sistema híbrido, com o uso da tecnologia para automatizar processos repetitivos, liberando o tempo dos profissionais de RH para fazerem tarefas mais nobres e estratégias, como a gestão da força de trabalho, lidando com as peculiaridades da interação humana, sem dúvida, serão os mais bem-sucedidos.

A covid-19 trouxe um novo cenário para as empresas e, sem dúvida, já mudou  a forma de trabalho em muitos segmentos. Contudo, acredito que a modernização da área de RH seguirá em formatos híbridos, onde as tecnologias e a interação dos profissionais de Recursos Humanos caminharão juntos para obter a tão almejada eficiência.

*Rafael Kiss é diretor de Produtos e Inovação da ADP na América Latina

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