Pós-graduação em e-commerce foca atualização tecnológica
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Pós-graduação em e-commerce foca atualização tecnológica

Curso em SP quer acompanhar rápida evolução do mercado, que vê deficiências na formação profissional

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24 de março de 2019 | 06h05

Mateus Apud * 

Com o avanço da tecnologia, diversas portas foram abertas para empreender em um novo negócio ou aumentar a operação de uma empresa no mundo digital. Nesse contexto, o segmento de e-commerce tem se tornado uma das principais apostas para novos empreendedores e gigantes do mercado. Nesta semana, foi a vez de a rede espanhola Zara inaugurar seu e-commerce no Brasil, parte de uma estratégia global da empresa, que busca até 2020 estar com uma plataforma online em cada um dos 96 países em que está presente.

Esse mercado faturou R$ 53,2 bilhões em 2018, com alta nominal de 12% ante 2017, e tem previsão de crescimento de 15% para este ano, segundo dados da Ebit, empresa brasileira de certificação e inteligência para o mercado do e-commerce. A formação profissional para se trabalhar na área, porém, é um problema enfrentado pelas empresas.

De olho nesse vácuo do mercado, em que a concorrência está mais acirrada e novas qualificações são requisitadas, a Fundação Instituto de Administração (FIA), em São Paulo, lançou a pós-graduação em desenvolvimento e gestão de negócios no e-commerce, para capacitar gestores de empresas e empreendedores para a criação, o desenvolvimento e o crescimento de negócios no ambiente digital.

Felipe Dellacqua, da Vtex, que vai lecionar em pós-graduação de e-commerce da FIA. Foto: Werther Santana/Estadão

“Existe uma defasagem de formação, por esse ser um tema novo (e-commerce) e isso está segurando o segmento para crescer ainda mais”, afirma Pedro Teberg, coordenador e professor da pós-graduação, que começa na próxima semana e tem duração de 12 meses.

O curso vem se juntar a outras iniciativas do universo acadêmico para suprir a demanda do mercado. Senac e FMU também oferecem pós-graduação voltada para e-commerce, desde 2016 e 2017, respectivamente. Já a ESPM e a Fundação Getulio Vargas têm cursos de curta duração (uma semana) para especialização na área.

Para o presidente do Conselho de Comércio Eletrônico da Fecomercio-SP, Pedro Guasti, o mercado de e-commerce é uma “ciência completa”, que engloba conhecimentos que vão desde contabilidade até o comportamento do consumidor. Uma vez que a maioria dos profissionais do mercado é formada em áreas distintas, diz ele, é fundamental haver cursos específicos para este nicho.

“É um mercado muito dinâmico, 80% das coisas que vemos hoje não existia há cinco anos. Por isso é importante fazer cursos para estar antenado em todas as frentes”, diz Guasti.

Mercado. Para o coordenador Pedro Teberga, o diferencial da pós-graduação da FIA é justamente essa aproximação com o mercado, para que as mudanças constantes sejam assimiladas rapidamente. “Não é um conteúdo como finanças, que pode ser replicado da mesma forma por 20 anos, já que as regras são praticamente iguais.”

Para isso, a FIA trouxe grandes empresas da área – como Vtex, Betalabs e Apis3 – não só para auxiliar no desenvolvimento do programa, mas também para ministrar aulas. No curso, os alunos deverão estudar disciplinas como direito digital aplicado ao e-commerce, user experience: usabilidade e layout, e administração financeira no e-commerce, com uma mescla de conceitos tecnológicos e administrativos.

Um dos professores será Felipe Dellacqua, sócio e diretor da Vtex, multinacional de tecnologia para o varejo digital fundada em 1999 e que atua em 28 países. Segundo Dellacqua, uma das dificuldades do setor é justamente contratar pessoas qualificadas para operações digitais.

“Aceitamos a parceria (com a FIA) porque queremos contribuir com o mercado em que atuamos, para a geração de profissionais qualificados para tapar esse gap”, diz ele, que tem como clientes marcas como C&A, Coca Cola, Sony, Havaianas e Nestlé.

* Estagiário sob a supervisão do editor de suplementos, Daniel Fernandes.