Poucos esperam o milagre da não digitalização
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Poucos esperam o milagre da não digitalização

É engano dizer que não há consciência sobre automação no Brasil

Claudio Marques

03 Março 2018 | 16h02

Imagem: Pixabay

Leonardo Trevisan, professor da PUC

É melhor ter cuidado com a “máxima” de que as empresas brasileiras não estão preocupadas com tecnologia digital. Não é bem assim.

Pesquisa realizada pela Vanson Bourne, encomendada pela Dell Technologies, com 3.800 “líderes de negócios” em 17 países incluído o Brasil, aplicada no segundo semestre de 2017, mostrou que 88% dos executivos brasileiros (contra 82% da média mundial) sabem que humanos e máquinas trabalharão integrados nos próximos cinco anos.Esta porcentagem sugere que poucos setores ainda esperam o milagre da não digitalização.

Este estudo, Projetando 2030: uma visão dividida do futuro, também mostrou que só 29% dos líderes brasileiros, contra 42% na média mundial, afirmam não saber se “estão preparados para a concorrência com quem adotar o digital” na próxima década.

Portanto, convivem duas percepções. Uma, a evolução digital é inevitável. Outra, não há suficiente preparo para ela. E esta preocupante dualidade não chegou nem à projeção de carreiras nem à estrutura organizacional das empresas.

Relatório da CNI, Confederação Nacional das Indústrias, Oportunidades para a indústria 4.0: aspectos da demanda e oferta no Brasil, divulgado no Estadão, em 4 de fevereiro na página B4, indicou que mais da metade dos setores industriais do País está tão atrasada em relação à tecnologia digital, que corre forte risco de exclusão do novo ciclo industrial, o 4.0.

A simples leitura deste relatório revela onde estão os empregos do futuro. Os setores: extrativista, alimentício, bebidas, celulose e papel têm alta taxa de inovação. De nível médio estão, por exemplo, informática e veículos. De nível baixo de inovação digital estão móveis e vestuário, entre outros. Este relatório está disponível no site da CNI.

É engano dizer que não há consciência sobre automação no Brasil. Aliás, no estudo da Dell, 59% dos nossos executivos apontam falta de preparo da mão de obra para a inovação, dramática constatação sobre o interesse da universidade no tema.

É fato, portanto, que o tempo das ingênuas afirmações de que o Brasil “não precisa” de inovação digital apenas já passou. Como a pesquisa mostrou, ninguém acredita mais nisso. Outra coisa, bem diferente, é o que se faz para alcançar essa evolução…

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