Coaching, um termo com várias facetas
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Coaching, um termo com várias facetas

Metas pessoais, carreira, desempenho profissional e resultados empresariais são alguns dos focos dos programas disponíveis no mercado

Claudio Marques

16 de junho de 2014 | 09h43

RENATA VIEIRA – Especial para o Estado

Popular termo quando o assunto é desenvolvimento de carreira, o coaching vem se tornando mais plural a cada dia – e com contornos mais difusos. No mercado, hoje é possível encontrar experts prontos para ajudar os interessados em diversos objetivos, incluindo os desafios de decisões financeiras, o suporte a concurseiros e até a orientação de executivas durante a experiência da maternidade.

“O coaching é um processo de geração de consciência, que promove uma visão mais ampla e sistêmica da própria vida ou dos negócios. Eu não digo o que o cliente deve fazer. Por meio de perguntas, ele passa a enxergar por si o que deve ser feito”, explica a coach Liamar Fernandes, há sete anos atuando como especialista e professora.

No início deste ano, ela passou a atender a estudante Lynira de Castro Martire, de 18 anos, para ajudar a garota na organização dos estudos e dos planos para o futuro. O coaching para adolescentes, muitas vezes identificado pelo atributo “vocacional”, tem como objetivo desenvolver a disciplina, a confiança e a autoestima dos jovens.

Parceria. Com orientação da coach Liamar (em pé), a jovem Lynira traçou planos até 2029 (Imagem: Rafael Arbex/Estadão )

Incentivada por sua mãe, Lynira passou a frequentar as sessões com a coach para melhorar sua preparação para o vestibular de medicina. Nas mais de dez sessões pelas quais já passou das 16 previstas no total, ela também traçou estratégias para os próximos anos. “Quero ser uma médica internacionalmente de sucesso em 22 de julho de 2029”, conta a jovem. Ela faz aniversário no dia 22, e julho coincide com o mês de nascimento de seu pai, que é médico.

Segundo a estudante, o processo é muito interativo, baseado em conversas e em métodos propostos por Liamar semanalmente. Num deles, a jovem estabeleceu, por exemplo, as etapas que terá de vencer até alcançar a posição que deseja – curiosamente o exercício, chamado de road map, baseia-se na criação d a trajetória de carreira do futuro, em 2029, para o presente. “Quem diz o que você tem de fazer é você mesmo”, diz.

Quatro grandes grupos abarcam os variados serviços oferecidos no mercado. O primeiro deles é o life coaching, aplicado a objetivos ligados à esfera pessoal do cliente. Entre os benefícios prometidos por esse tipo de processo estão o desenvolvimento de habilidades comunicativas, de planejamento e motivação e até a melhora dos relacionamentos dos participantes – chamados de coachees.
Outro grupo do processo é identificado pelo rótulo de career coaching, destinado a quem pretende planejar a trajetória profissional no curto ou no longo prazo, além de aprimorar habilidades no emprego atual ou redirecionar a carreira.

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O engenheiro elétrico Marcelo Berteli, de 38 anos, sabe bem como esse processo funciona. Ele buscou no processo de coaching a resposta para uma demissão sem explicações após oito anos de trabalho em uma companhia. “Queria identificar meus pontos fracos, meus pontos fortes e enxergar no que eu deveria me aperfeiçoar”, conta.

Berteli não dependeu do processo para se recolocar no mercado – foi contratado na primeira das 12 semanas do programa – mas se beneficiou dos conhecimentos ainda durante o período de sessões, quando recebeu uma proposta de trabalho de uma multinacional japonesa.

“Era uma mudança de emprego em um tempo muito curto, para um cargo mais desafiador, e eu teria que mudar de cidade, levar minha família”, relembra. Um road map também foi útil para ele tomar a decisão, que resultou na mudança dos Berteli para o interior do Estado. “O coaching é para a vida toda. Você passa a aplicar constantemente as ferramentas e a traçar objetivos claros ”, avalia.

Bertelli. Coaching ajudou em momento de transição (Imagem: Arquivo pessoal)

Além da iniciativa pessoal, o processo também serve para objetivos empresariais. Terceiro grupo de variantes, o executive coaching, contratado pelas organizações, destina-se às diretorias e gerências de empresas quando a intenção das companhias é aprimorar as habilidades dos gestores – principalmente envolvendo liderança.

Já o quarto grupo, conhecido pelo qualificador “business”, tem como público os empreendedores, em maioria ligados a microempresas e pequenas e médias organizações. O processo tem maturação no longo prazo, levando em conta aspectos como desempenho de mercado e faturamento do negócio.

Receptividade. A realidade atual do mundo corporativo, que dá cada vez mais importância para as habilidades não técnicas dos executivos – os conhecidos soft skills – criam demanda para os processos de coaching, segundo o vice-presidente financeiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Cássio Mattos. “As empresas querem novos padrões de pensamento e de atitude, mudar estilos de liderança e melhorar a gestão como um todo, para alcançar melhores resultados.”

Grande parte dos programas disponíveis no mercado têm ciclos de aproximadamente dez semanas, e os preços podem variar consideravelmente. De acordo com Mattos, os custos por hora de sessão podem variar de R$ 200 a R$ 1.500, dependendo da experiência e da reputação do especialista.

A coach Liamar explica que o processo normalmente se inicia com uma entrevista, aplicada para que o participante adquira consciência de sua situação e se responsabilize pelo processo de mudança pelo qual vai passar. “Depois, são aplicados testes de comportamento que resultam em relatórios para a pessoa se entender e, então, seguir para as ações de uma forma diferente (em relação às atitudes tomadas habitualmente). ”

Estabelecidos os escopos de atuação, os programas promovem o acompanhamento do coachee no programa, que exige foco e disciplina. “Entre uma reunião e outra, o coach delega algumas lições de casa, como a leitura de um livro. E o processo se agiliza”, diz a professora da área de carreiras na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Fátima Motta./COLABOROU GUSTAVO COLTRI

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