Profissionais de 40 a 54 anos são mais otimistas quanto a futuro, diz pesquisa

Profissionais de 40 a 54 anos são mais otimistas quanto a futuro, diz pesquisa

Índice de Confiança do Trabalhador do Linkedin faz medição de acordo com idade e porte da empresa em que funcionário atua; empregados de grandes corporações são mais pessimistas

Anna Barbosa

23 de julho de 2020 | 08h00

A pandemia do novo coronavírus trouxe uma série de consequências emocionais no âmbito do trabalho, como confiança no emprego atual e no futuro profissional. No Brasil, profissionais da geração X (que tem entre 40 e 54 anos) se mostram hoje mais confiantes sobre a carreira, seguidos dos millennials (25 a 39 anos) e dos baby boomers (55 anos ou mais).

É o que mostra o Índice de Confiança do Trabalhador do Linkedin no Brasil, realizado com o objetivo de medir expectativas quanto a busca de emprego, renda e carreira e cujo primeiro levantamento está sendo lançado no País nesta quinta-feira, 23. O índice foi criado neste ano e começou em países como EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália e Índia. Chegou ao Brasil em junho e será estendido para outros países como França, Alemanha e Itália.

Para Rafael Kato, editor-chefe para América Latina e Espanha no Linkedin Notícias, o otimismo está ligado ao momento que esses profissionais vivenciam na carreira. “A geração X está no topo da carreira, em posições seniores, e é natural que tenham essa perspectiva mais positiva. Quando comparado com os millennials, eles ainda podem estar no começo ou construindo suas carreiras.”

A pesquisa também revela que os funcionários de pequenas empresas são os mais otimistas quanto ao futuro de seus empregadores, com o índice de +42 pontos na escala que varia de -100 a +100, sucedido por empresas de médio porte (+36) e grande porte (+28).

Rafael Kato diz que, ao analisar as conversas que surgem na plataforma e a cobertura dos efeitos da pandemia no mercado brasileiro, a velocidade com que as empresas conseguiram se mobilizar foi preponderante. Se por um lado as grandes empresas conseguiram organizar o trabalho remoto mais rapidamente, são as pequenas que conseguem ter mais agilidade para reabrir.

“Quando o isolamento foi decretado (em março, em São Paulo), as grandes empresas se mobilizaram muito rápido para home office, reduziram as equipes. Quando olhamos para a retomada, as pequenas conseguem abrir suas portas primeiro pelo fato de possuírem menos funcionários e outros fatores.”

Sobre os efeitos no mercado, citados por Kato, os dados do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), divulgados em 14 de julho, mostram as primeiras reações depois de a atividade econômica despencar 11,43% em apenas três meses. Com a retomada do comércio, houve uma alta de 1,31% em maio sobre o mês de abril.

Escritório em São Paulo durante a pandemia do coronavírus. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A pesquisa do Linkedin demonstra também que, ao olhar para a expectativa financeira dos próximos seis meses, as gerações mais velhas têm mais probabilidade de esperar por uma redução na renda e na economia pessoal, assim como a queda no nível de investimento.

Além disso, o Índice de Confiança do Trabalhador indica que aqueles com mais de 55 anos são menos propensos a esperar aumento na procura por emprego e somente 23% acreditam no aumento da oferta de vagas nas próximas duas semanas. Ao mesmo tempo, aqueles que possuem menos de 25 anos são os que mais acreditam em um crescimento na oportunidade de candidatura a novas vagas.

A primeira fase da pesquisa ocorreu entre os dias 1º e 28 de junho, com cerca de 2,5 mil profissionais cadastrados no Linkedin. Os índices serão medidos e acompanhados mensalmente pela empresa. “O levantamento funciona como uma fotografia, e a foto do momento é essa, mas é interessante acompanhar as mudanças que vêm pela frente”, pontua Kato.

* Estagiária sob a supervisão da editora de Carreiras & Empregos, Ana Paula Boni

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