Quando um colega de trabalho deixa você maluco
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Quando um colega de trabalho deixa você maluco

Problemas “irritantes” são parte do pacote de trabalho com outros seres humanos; veja como pode enfrentar casos assim

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14 Agosto 2018 | 06h36

Foto: Pixabay

The New York Times

Às vezes, resolver um incômodo no ambiente de trabalho significa ter uma conversa franca e constrangedora com alguém, sem qualquer dano. Veja aqui alguns casos e como decidir se vale a pena agir e como.

“Trabalho em um pequeno escritório. Minha chefe tem o hábito de jogar uma bola de tênis toda vez que ela está no telefone, o que é muito. É muito chato. Ultimamente, ela também entrou na mania de fitness ela anda pelo escritório em seu celular pulando com aquela maldita bola. Não há como fugir. É possível enfrentar com isso sem causar nenhuma animosidade? Anônimo

“Eu trabalho em uma filial com dez pessoas, de uma grande organização. Três de nós trabalham em um pequeno espaço. Um colega de trabalho geralmente tem um odor corporal forte e desagradável que invade nosso espaço. Ele é completamente alheio a isso. Isso tem sido um problema há anos. Para complicar as coisas, gostamos muito dele, uma pessoa por natureza, emocionalmente frágil. Como podemos discutir isso com ele sem causar um horrível constrangimento?”  Susan

“Meu consultório é atormentado pela limpeza constante da garganta de um colega, complementada com um estranho ruído de soluço. Todo mundo fica distraído e irritado com isso. Mas porque pode ser uma compulsão ou tique, e, portanto, uma questão médica, ninguém pediu a ele que parasse, se ele pudesse. Como podemos lidar com isso?”.  Anônimo

Ilustração: Gracia Lam / The New York Times

Rob Walker, o ‘workologista’, responde

O Workologista recebe muitas indagações relacionadas a colegas de trabalho “irritantes” – pessoas que não causam nenhum dano, mas têm algum hábito ou característica que incomodam os outros. Os exemplos acima oferecem variações típicas desse dilema e refletem coletivamente a questão principal que está sempre em segundo plano: há alguma maneira de lidar com isso sem uma conversa desagradável?

A resposta rápida é não. Mas uma resposta mais detalhada pode ajudar qualquer pessoa que enfrente uma situação semelhante a determinar exatamente como proceder. Então, para obter ajuda, conversei com vários especialistas que pensaram em lidar com essas conversas, cada um a partir de uma perspectiva distinta.

Uma abordagem pode ser descartada imediatamente. “Notas sobre o para-brisa não são aceitáveis”, diz Edward Yost, sócio de RH da Society for Human Resource Management, uma organização comercial. Uma missiva anônima pode deixar de mostrar qual o problema e provavelmente deixará o alvo se sentindo não apenas constrangido, mas isolado.

Então, comece avaliando a situação do ponto de vista de quem está incomodando você. Imagine que alguma faceta da sua existência dê nos nervos de todos os outros. “Como você gostaria que alguém lhe chamasse a atenção?”, disse Yost.

No caso de uma tosse que poderia de fato ser um problema médico, a pessoa provavelmente está tão consciente do problema quanto você, e pararia se pudesse. Pode ser mais produtivo, então, pensar em termos de como mitigar os efeitos – usando fones de ouvido, conversando com um gerente sobre como suas mesas estão organizadas e assim por diante.

Em seguida, descubra se o assunto deve ser tratado por você, ou por um gerente ou departamento de recursos humanos. Em geral, você deve tentar resolver um aborrecimento – em oposição a algo como assédio – por conta própria.

“Se você for ao seu gerente primeiro, é bem provável que ele diga: ‘Você tentou falar com essa pessoa?’”, comentou Alison Green, autora de Ask a Manager (Pergunte a um gerente) e do site de consultoria profissional do mesmo nome.

Foto: Pixabay

Há, porém, exceções, ela acrescentou. E o exemplo do odor corporal provavelmente está entre elas. Não importa se você está lidando com uma questão complicada como gerente ou colega, reconheça a falta de jeito de frente, disse Jayson Dibble, professor da Hope College, que estuda interação social. Em seguida, sublinhe que você valoriza a pessoa com quem está falando e enfatize as declarações que começam com “eu” e não com “você”.

“Esta é uma declaração do comportamento que você está percebendo, seguida de quaisquer consequências pessoais resultantes do comportamento”, disse ele. “Eu me sinto frustrado” ou “eu percebi” – você não está culpando a outra pessoa, você está descrevendo a maneira como se sente. Um tom discreto, mas direto, evita colocar alguém na defensiva.

Green sugeriu uma tática parecida. “Aborde o problema em termos de suas próprias idiossincrasias”, disse ela. “Por alguma razão, esse barulho de bola saltitante dificulta minha concentração.”

Isso indica que você está trabalhando em conjunto para resolver um problema.

Quando o comportamento irritante é de alguém cujo cargo é superior ao seu – como no caso da bola quicando – você precisa fazer um julgamento adicional. Se o chefe é uma pessoa sensível, você pode ter que deixar para lá. Se você acha que pode discutir o problema, enfatize as implicações relacionadas aos negócios. Deveria ser mais “isso prejudica nossa produtividade” e menos “isso realmente me incomoda”, como disse Yost. Pense antecipadamente acerca das palavras exatas que você usará e veja a possibilidade de treinar com alguém da sua confiança.

A boa notícia, acrescentou Yost, é que muitas vezes as pessoas apreciam quando uma questão da qual não tinham conhecimento, mas que se pode remediar, é respeitosamente trazida à sua atenção. A má notícia é que não existe uma escapatória secreta para garantir esse resultado.

E, como Green sabiamente observou, problemas “irritantes” são “parte do pacote de trabalho com outros seres humanos”. Então, em vez de se obcecar, decida se a questão vale uma conversa difícil. “Se você não está disposto a fazer isso”, ela disse, “pode ​​valer a pena se perguntar o quanto a coisa realmente é importante para você”. / Tradução de Claudia Bozzo