Reflexão sobre pandemia do coronavírus pode levar 50+ a se reinventarem
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Reflexão sobre pandemia do coronavírus pode levar 50+ a se reinventarem

Maduros precisam aproveitar a oportunidade da quarentena para se reinventar pessoal e profissionalmente, abraçando de vez a tecnologia e buscando caminhos alternativos de trabalho

Mórris Litvak

30 de março de 2020 | 13h28

Os idosos estão no olho do furacão do novo coronavírus e por isso voltaram ao centro do assunto na mídia e nas discussões em redes sociais. A última vez que estavam em evidência assim foi quando o País estava discutindo a Reforma da Previdência.

A crise atual acentua um estereótipo ainda muito comum com relação às pessoas mais maduras como frágeis e impotentes. Pior ainda, quase como um fardo para a sociedade. Narrativa muitas vezes – e infelizmente – reforçadas em discussões e memes nas redes, e até em inacreditáveis discursos de políticos.

Parece que muita gente se esquece que chegará lá. Ou seja, com sorte, todo mundo vai envelhecer, mas não podemos esperar as pessoas chegarem aos 60 anos para tomarem consciência de quão errada a nossa visão enquanto sociedade ainda é sobre os mais velhos, até porque a longevidade está aí e o envelhecimento populacional continua acelerado em todo o mundo, principalmente no Brasil. Uma pessoa com 50 anos pode estar na metade da sua vida e, portanto, ainda tem muita coisa para fazer e sonhos a realizar.

A parcela da população com mais de 50 anos no Brasil já passou de 53 milhões de pessoas neste ano segundo o IBGE, mais de 25% da nossa população. Porém, ela continua sofrendo com a invisibilidade na mídia e se sentindo mal atendida nos mais diversos segmentos, apesar de possuir o maior potencial de consumo entre as faixas etárias dos brasileiros.

Pior ainda é a situação no mercado de trabalho que, de forma geral, teima em continuar focando nos millenials e perpetuando o preconceito etário, perdendo com isso uma enorme oportunidade de ter uma diversidade maior de pessoas com diferentes gerações. Integradas e se respeitando, elas se complementam, se ajudam e trazem inovação às empresas, além de refletir melhor dentro de seus times a diversidade que encontra no seu público consumidor.

Idoso em feira livre neste domingo, 29, em São Paulo. Foto: Taba Benedicto/Estadão

Os jovens, empresários e gestores precisam refletir e entender a responsabilidade que têm sobre isso. Já os “maturis” precisam aproveitar essa oportunidade e se reinventarem pessoal e profissionalmente, abraçar de vez a tecnologia, buscar novos conhecimentos e caminhos alternativos de trabalho, entendendo que as formas de geração de renda e de ocupação, que já mudaram muito, serão ainda mais diferentes após esta crise.

Novas conexões e novas formas de aprender, trabalho remoto e autônomo, olhar para dentro e entender o seu potencial, saber como mostrar sua experiência nas mídias digitais e utilizar os canais eletrônicos para buscar parceiros e fazer negócios, se atualizar com os mais jovens. Tudo isso agora é obrigação e não mais uma alternativa.

A boa notícia é que há uma grande rede de ajuda para quem está perdido, se sentido isolado ou buscando orientações. Desde pessoas anônimas a grandes empresas estão criando iniciativas com as quais você pode se beneficiar, participar e pedir ajuda.

Somando novas habilidades e o uso da tecnologia à sua vasta experiência lhe darão um grande diferencial. Agora mais do que nunca, a visão de quem já passou por diversas outras crises é fundamental. Algumas dicas práticas você pode conferir neste artigo que eu escrevi aqui há alguns meses. 

Fique em casa, mas não fique parado!

* Mórris Litvak é fundador e CEO da MaturiJobs e da MaturiServices (plataformas de recolocação e desenvolvimento profissional para pessoas 50+), graduado e pós-graduado em engenharia de software pela FIAP de São Paulo (morris@maturijobs.com).

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