Requisitados, mas difíceis de encontrar

Requisitados, mas difíceis de encontrar

Claudio Marques

21 de outubro de 2013 | 17h32

Estratégico, que apresente resultados, tenha networking e domínio da atividade a ser desenvolvida. “Esse é o perfil do profissional que a maioria das empresas procuram e têm dificuldades de encontrar”, diz o diretor da empresa de recrutamento e consultoria Page Personnel, Roberto Picino.

Com essas habilidades, existem sete cargos com maior dificuldade de contratação, De acordo com um estudo realizado pela consultoria. São eles: analista sênior/especialista de supply chain, arquiteto de sistemas, executivo de vendas hunter sênior, analista de pricing (mercado de bem de consumo), analista de custos, coordenador de universidade corporativa e especialista de projetos.

Picino conta que a consultoria recoloca em média 300 profissionais por mês e em uma análise do dia a dia do recrutamento perceberam um grau de dificuldade maior para recolocar profissionais nesses postos. “O tempo médio para contratação de um profissional é entre 30 e 40 dias e percebemos que para essas funções a colocação pode demorar até 120 dias”, diz. Ou seja, são profissionais muito procurados, mas com dificuldades de serem encontrados.

A partir dai a Page decidiu fazer um levantamento desses cargos e saber as exigências das empresas. “Conseguimos entender o nível de detalhamento das funções e quais eram as especificidades do mercado para ocupar esses postos”, conta.

Picino esclarece que, para esses cargos, as companhias buscam um profissional já pronto para assumir as funções. “Não querem alguém para treinar, querem que traga resultados imediatos para o negócio, que conheça especificamente um determinado produto, serviço ou área”, diz.


Leônidas. Carreira na área de supply chain (Imagem: Divulgação)

O engenheiro mecânico Paulo Leônidas, de 43 anos, hoje é diretor de supply chain na linha de não alimentos do Grupo Pão de Açúcar. Um dos cargos destacados no levantamento é o de analista sênior, especialista nessa área, função na qual ele já esteve durante sua carreira. E entende bem as exigências da função.

“Comecei como estagiário e vi nascer o conceito de supply chain, integrando as áreas de logística, com suprimentos e compras”, conta. Antes de chegar ao Pão de Açúcar, em 2010, Leônidas passou por empresas como Danone, Vigor, Nestlé e Coca-Cola. “Também fui analista, especialista, coordenador, gerente até chegar a diretor, sempre na área de supply.”

Movimento

Ele reconhece que ter passado por diferentes cargos e ter conhecido as áreas de compras, suprimentos, planejamento foi importante para o sucesso na carreira.

“Para trabalhar nessa área é preciso ser estratégico e saber atuar em diversos papéis com várias áreas, pois o supply está na espinha dorsal das operações da companhia, coordenando pedidos e entregas. Também precisa ser criativo e corajoso para arriscar e, muitas vezes, antecipar comportamentos do mercado”, diz.

Para melhorar sua atuação e se desenvolver, ele fez cursos de pós-graduação em administração industrial e de gestão de pessoas. “Há 20 anos não havia a preocupação de gerenciar pessoas, era um trabalho mais técnico. Hoje, é preciso pensar na qualidade de vida, produtividade e retenção de funcionários. É o diferencial da função.”

Como diretor, tem cerca de mil pessoas de diferentes níveis sob seu comando. “Para crescer na carreira é preciso subir degrau por degrau. Nenhum profissional nasce diretor, o resultado é o esforço de uma vida inteira”, diz.

Inovar e criar metodologias

Outra função destacada na pesquisa é de coordenador de universidade corporativa. Um cargo ligado ao RH das empresas, que precisa de um profissional detentor de conhecimento desse setor.

Heloisa Granja, de 28 anos, entrou na Whirlpool em 2011 como trainee. Teve como incumbência tocar o projeto da universidade corporativa da companhia. “Quando recebi o plano, a primeira coisa que pensei é que era uma loucura, uma ousadia. Mas fiquei feliz porque a empresa me confiou a proposta. Então fui investigar o mercado, entender a proposta de uma universidade corporativa e como se dava seu funcionamento.”

Heloisa. De trainee a coordenadora da UC da Whirlpool (Imagem: Divulgação)

A UC Whirlpool foi lançada em março deste ano. Hoje, ela é analista sênior de recursos humanos Latin America e coordena a universidade. Para a função, a jovem destaca a necessidade ter visão estratégica.

“Preciso enxergar o presente e o futuro e ter um pensamento inovador para entender os temas e as necessidades da companhia, a fim de criar metodologias e colocá-las em prática”, afirma Heloisa.

Coordenador de universidade corporativa deve ir além do RH

Glaucimar Peticov, de 50 anos, é diretora de RH do Bradesco e coordenadora da universidade corporativa (Unibrad). No banco desde 2003, ela foi responsável pela área de treinamento e com o plano para criar a unjiversidade corporativa, ela assumiu o projeto.

Ela é formada em psicologia, tem especialização, MBA e pós-graduação em negócios e recursos humanos em universidades nacionais e internacionais. “Minha bagagem profissional em RH e conhecimento na área de negócios me deu experiência para coordenar a universidade corporativa”, diz.
A diretora de RH passou um ano e quatro meses na formulação do projeto, que foi formatado pela especialista em educação corporativa e coordenadora do curso na Fundação Instituto de Educação (FIA), Marisa Eboli.

Segundo Marisa, 90% de um projeto de universidade corporativa começa pela área de RH. “Normalmente a área quer rever seu centro de treinamento e transformá-lo em uma universidade corporativa, um processo que não é só mudar o nome, não é somente um rótulo. Significa realmente rever todo seu centro de treinamento e estruturá-lo a partir do sistema de competências da empresa”, diz.

Glaucimar mostra-se bastante orgulhosa do trabalho desenvolvido na Unibrad. “Eu tenho característica empreendedora, de assumir desafios. Eu acredito também na capacidade de saber ouvir e entender as demandas do mercado e do time.”

                  Glaucimar. Diretora de RH e coordenadora da Unibrad (Imagem: Divulgação)

Ela também acredita que para atuar na área de recursos humanos e educação corporativa é preciso sair do mundo de RH e ter uma visão mais ampla do mundo dos negócios.

Outra competência destacada por ela – que declara ser apaixonada pelo trabalho realizado – é a versatilidade e o serviço. “Para alcançar os objetivos é preciso servir, este é o verbo.”

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