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Responsabilidade social agora é da conta dos CEOs

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24 Junho 2018 | 07h15

Eliane Sobral/ESPECIAL PARA O ESTADO
Se no passado temas como preservação ambiental, qualificação de mão de obra ou promoção da cidadania eram restritos ao setor de RH ou área de marketing das empresas, hoje estão na ordem do dia dos altos executivos. Mudou também a forma como essas ações são encaradas: sai o enfoque filantrópico do passado e entra a responsabilidade corporativa como pilar importante para a sustentabilidade e longevidade dos negócios. “Aqui tratamos este tema sob três aspecto: ambiental, social e econômico-financeira”, afirma Denise Santos, CEO da BP- A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
As ações implementadas pela BP vão da redução do desperdício de alimentos no refeitório dos funcionários (de 15% em 2015, para 8,9% em 2017) a um sofisticado sistema de descarte de materiais eletrônicos, como tomógrafos antigos ou equipamentos velhos para eletrocardiogramas. Em dois anos, foram recicladas 23,4 toneladas de máquinas, pilhas e baterias.
A executiva cita, ainda, a inclusão de companheiros nos planos de saúdes oferecidos pela empresa aos funcionários. Normalmente, lembra ela, esse benefício fica restrito a esposas e filhos. “Aqui, é um benefício estendido à família, inclusive em casos de casais homoafetivos.” Não se trata de filantropia. A conta é simples, subtrai-se preocupação e soma-se produtividade.
Outra ação destacada por Denise Santos é a escola de enfermagem mantida pela empresa e que oferece gratuitamente cursos para auxiliares e técnicos em enfermagem. De 1961 até agora, a escola já formou 856 técnicos e 3.095 auxiliares de enfermagem. Além de reforçar a qualificação profissional, a própria empresa se beneficia desta iniciativa contratando muitos dos profissionais que forma.
“Hoje, vivemos num ambiente global e temos de ter um olhar coletivo. Além disso, a responsabilidade é de todos e não só dos governos”, diz a executiva que participa do programa CEO por um dia, promovido pela Odgers Berndtson em parceria com o Estadão, PDA International, Machado Meyer Advogados e Centro de Carreiras da FGV Eaesp (leia ao lado).

Qualificação. A qualificação profissional também ocupa um espaço importante nos negócios da belga Puratos. Em 2015, a companhia formou parceria com a ONG Gol de Letra, e passou a oferecer cursos de panificação e confeitaria. Com duração de 18 meses, esses cursos formam não só os futuros usuários da marca, como qualificam profissionais que podem trabalhar nos clientes da empresa fornecedora de matéria prima para confeitaria, panificação e chocolates para o mercado corporativo.
Segundo a CEO da Puratos, Simone Torres Soares, esse tipo de iniciativa afeta positivamente não apenas a sociedade e o jovem qualificado, como também cria um vínculo importante desse novo profissional com a marca que o apoiou. O programa, que também existe na filial da Índia, inclui períodos de estágios remunerados.
“Os cursos foram criados para levar os alunos além da educação básica e para dar a eles treinamento prático necessário para que ganhem a vida”, acrescenta Simone. E a soma de diversas iniciativas se reflete no balanço da empresa ao final de cada exercício. “É difícil quantificar, porque são várias ações mas é claro que tem impacto financeiro e tem que ter”, diz Denise, da BP
Sem plástico. Administrador de seis empreendimentos ligados ao ecoturismo, entre eles o Parque Nacional do Iguaçu (PR) e o EcoNoronha, em Fernando de Noronha (PE), o Grupo Cataratas recebe cerca de 5,3 milhões de visitantes que produzem 15 toneladas de lixo plástico por ano. A campanha mais recente da companhia visa reduzir este volume em 80%, dentro de dois anos.
Em Noronha, o Grupo Cataratas está desenvolvendo o protótipo de um bairro completamente sustentável para fazer de Noronha a ilha mais sustentável do planeta, de acordo com o CEO do Grupo Cataratas, Bruno Marques. “É importante gerar riqueza para investir na preservação e não esquecer que empresa não é ONG”, afirma Marques, que também participa do programa CEO por um dia. “Hoje, a gente não faz doação. A gente capacita o entorno”, diz ele lembrando que este é o caminho para a sustentabilidade.