Robótica total? Melhor ver o ‘paradoxo da produtividade’
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Robótica total? Melhor ver o ‘paradoxo da produtividade’

A Economist insiste: o futuro previsível da inteligência artificial no trabalho permanecerá 'estreito, não geral'

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07 Julho 2018 | 16h03

Imagem: Pixabay

Leonardo Trevisan, professor da Puc

A velocidade da mudança assustou. Em junho de 2017, 75% dos 2.766 executivos de 21 países responderam pesquisa da EY Consultoria afirmando não pretender adotar processos de robótica em suas estruturas de produção. Em junho deste ano, em “enorme reviravolta”, só 3% desses executivos mantêm a mesma opinião.

O que aconteceu para tamanha mudança? Uma explicação é que tecnologia está “melhor e mais barata”. Outra explicação adotada pela EY:  “com robótica, a velocidade com que empresas vão morrer ou crescer tem de mudar”.

Este é o ponto: a inevitabilidade da mudança para a automação. Seja do que for, indústria ou serviço. Fica a dúvida: a substituição pelo robô será imediata? Com que adaptação? E mais sério: com que produtividade? E pior: o que será dos atuais trabalhadores?

Artigo do Financial Times, de Martin Wolf, perguntou: será que os humanos se tornarão “tão economicamente irrelevantes quanto os cavalos?”. Aqui, Wolf abriu bom debate, baseado em Solow, Krugman e Adair Turner, sobre o paradoxo da produtividade, conceito que mescla inovação com baixo crescimento da produtividade.

Explicação do conceito: os salários ficam bem elevados nos setores “acelerados” e cada vez mais baixos nos setores com menor produtividade. Wolf comprova o conceito: dos 10 setores com maior previsão de emprego nos EUA entre 2014 e 2024 (que devem gerar 29% dos novos empregos), 8 deles pagam salários inferiores à média nacional. Resultado desse paradoxo: mais desigualdade de renda e queda na produtividade geral. O texto de Wolf está em: https://www.ft.com/content/02d486ba-ecc1-11e7-8713-513b1d7ca85a

Nada garante, portanto, que a expansão da automação será igual para todos. A The Economist, (edição de 9/06) alerta que “inovações nunca são uniformes”, lembrando que não foi diferente na chegada da eletricidade em 1880: a indústria levou 40 anos para se adaptar à nova tecnologia. Com mudanças bem diferenciadas em cada canto do mundo. A Economist insiste: o futuro previsível da inteligência artificial no trabalho permanecerá “estreito, não geral”.

Ou seja, muita água ainda vai passar sob a ponte da automação. Os executivos da EY foram apressados na guinada que deram? Talvez, mudem de opinião, novamente.

 

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