“Saber lidar com as emoções é aprendizado essencial na carreira”

No mundo corporativo, durante muito tempo, dominou a falsa ideia de ser possível suprimi-las em favor da racionalidade, por estarem associadas a comportamentos irracionais

Claudio Marques

23 de julho de 2014 | 10h00

Sandra Loureiro – professora da PUC e psicóloga

Nos meus últimos artigos abordei o tema das competências comportamentais: a importância do conjunto das habilidades humanas como fator de diferenciação na carreira, com destaque para o saber trabalhar em equipe. Dando continuidade ao rol dessas competências, ressalto a que talvez tenha sido a mais estudada, discutida e polêmica: nossa capacidade de lidar com as próprias emoções.

Embora o tema tenha se popularizado com o conceito de inteligência emocional, explicitado pelo psicólogo Daniel Goleman, tornando-se também um dos favoritos nos discursos de autoajuda, as emoções chamam a atenção de pensadores, religiosos e cientistas há séculos, por sua complexidade e importância na determinação das ações humanas, quer para o bem ou para o mal.

No mundo corporativo, durante muito tempo, dominou a falsa ideia de ser possível suprimi-las em favor da racionalidade, por estarem associadas a comportamentos irracionais, impulsivos e descontrolados, que só “atrapalhariam” o livre curso das decisões inteligentes e sensatas. De fato, as emoções trazem à tona imensa carga de energia mas é exatamente nesta condição que reside o seu poder transformador, criativo ou destruidor.

Mas o que são, de onde vêm, por que são tão temidas? Emoções são um conjunto de respostas psicofisiológicas a estímulos internos ou externos, automáticas, intensas e passageiras, que desencadeiam reações orgânicas em segundos, produzindo sensações físicas que geram forte impulso para a ação. São importantíssimas para nossa sobrevivência e adaptação. Porém, temos dificuldades em lidar com elas, especialmente as negativas. Por exemplo, diante de uma avaliação percebida como injusta e prejudicial à carreira, uma reação emocional possível seria ofender, agredir quem o avaliou, não aceitar as justificativas, não se conformar, etc.

Um processo de reflexão diante dessa energia poderosa, que não pode nem deve ser ignorada, é o nosso grande aliado para novos aprendizados. Ele passa pela interveniência da razão. Buscar e analisar as causas, ponderá-las, possibilita refinar a percepção gerando um novo olhar sobre a situação. Com esses elementos incorporamos uma resposta mais madura e assertiva. Conforme António Damásio (1996), “a evolução do homem passa pelo exercício da conciliação entre emoção e razão”.

A razão é apolínea e a emoção dionisíaca, porém, Apolo e Dionísio são divindades complementares no concílio dos deuses e nos caminhos humanos contemporâneos. Fácil de entender, difícil de praticar, essencial para a carreira, exercício para a vida.

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