“Só faxineira perde o emprego com robô que limpa a casa?”

Claudio Marques

09 de fevereiro de 2014 | 10h01

Leonardo Trevisan*

Há um consenso entre pesquisadores: a revolução digital irá impor fortes mudanças, tanto na geração como no perfil dos postos de trabalho. Estudos mostram que em uma década, metade dos empregos serão bem diferentes do que conhecemos hoje. E boa parte deles não existirá mais.

Para entender o espírito do novo ciclo de expansão tecnológica basta pensar na oferta de robôs que limpam a casa. Quem acha que só a faxineira vai perder emprego com o robô multiuso está muito enganado.

O efeito das tecnologias digitais no mundo do trabalho será intenso. E bem rápido. O perfil dessa mudança será bem diferente do historicamente conhecido. A tecnologia digital atinge empregos que nunca tinham sido tocados nos outros ciclos de mudanças técnicas. A revista The Economist, da edição de 18 de janeiro, mostrou que um alvo da mudança será o setor público.

Quem não percebe que um bom notebook substituiria órgãos públicos inteiros e suas centenas de carimbos? Mas a verdadeira mudança virá nos empregos de classe média do setor privado. Computadores com poder de seleção terão performance muito superior e bem mais barata do que pessoas em uma quantidade enorme de tarefas.

A explosão de mudança nos empregos virá, especialmente, da multiplicação das startups digitais, as que inventam produtos que a humanidade não sabia que precisava e muito menos que não podia viver sem eles. Pense no celular, por exemplo. Multiplique as funções dele e veja quantos empregos cada novo aplicativo criado derruba.

Nenhum governo está preparado para esta mudança, diz a revista de economia. Mas só governos estão despreparados? E as áreas de recursos humanos das empresas? Os cursos de administração estão atentos para o enxugar de empregos de classe média?

Não adianta ter visão “ludista”, a de 1830, que quebrava máquinas porque roubava empregos. A resposta para essa tensão está em novos padrões educacionais. Inclusive na empresa. Não é mais escolha o convívio com a tecnologia digital na ordem corporativa. Por exemplo, a “gamificação” na gestão de pessoas é mais do que um primeiro passo nessa direção. É caminho sem volta. Quem duvida disso? Quem quer pagar para ver e ficar fora dessa inapelável trajetória?

*Professor da PUC-SP

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