‘Ter propósito nobre é o principal fator para continuar na empresa’

Gebson Pereira de Sousa

30 de maio de 2011 | 15h53

À frente da operação brasileira da Trend Micro, multinacional com sede em Tóquio, especializada em segurança virtual, Fábio Picoli, de 37 anos, funciona como um combatente de ameaças ao bom uso da internet. Há 10 anos na mesma empresa, ele diz que o principal fator para sua retenção é a missão da companhia de fazer da internet um ambiente mais seguro a todos.

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Por que postos você passou na empresa nesses anos e que habilidades adquiriu com eles?
Entrei na Trade Micro em 2001, para trabalhar em uma área de desenvolvimento de projetos por causa do boom da internet. Minha carreira, então, foi evoluindo. Passei a trabalhar também em desenvolvimento e criação de uma equipe com foco em grandes contas. Posteriormente, trabalhei com a gestão de canais, e, por fim, me tornei responsável pela diretoria de vendas, antes de assumir este novo posto. Ao longo desses anos, todo o trabalho com parceiros e vendedores foi uma grande contribuição para a função que exerço hoje e para os desafios com os quais lido.

Foram 300 milhões de spams no Brasil só em 2010. Ser o xerife do ciberespaço é um desafio?
Não chego a ser o xerife. Cada vez mais a polícia cibernética atua no combate aos ciber crimes. Para nós, o mais importante é conseguir entender o que acontece no mercado local. Uma conquista nossa no ano passado foi criar um laboratório para isso. Com ele, temos hoje no Brasil uma capacidade maior de entender o que acontece no País e responder de melhor forma para o cliente. Hoje, com relação às ameaças, há os spams, que são fortes, e um segundo fator, são as ações maliciosas que roubam informações bancárias. Cada vez mais a gente vê essas ameaças, que visam a roubar dados dos usuários para obter lucro financeiro. Esse é um grande desafio.

Qual é seu principal desafio?
Estamos vivendo uma nova TI (tecnologia da informação), e ela traz uma série de desafios para empresas e usuários domésticos. Nosso desafio é conseguir proteger cada vez mais as empresas, para que elas aproveitem cada vez mais essa nova TI. Por exemplo, para uma companhia que está criando seu data center, nossa função é fazer com que todos os seus dados estejam seguros. Já o usuário doméstico usa cada vez mais aparelhos móveis e está na internet de forma contínua. Precisamos tornar isso seguro. Hoje, tenho um desafio que é pessoal e profissional, relacionado ao uso da internet por crianças e famílias. Tento encabeçar, na empresa e em algumas escolas, a conscientização do uso da internet, porque os benefícios são muito maiores do que os problemas. Dizer que o Brasil é um dos principais focos de spam não é produtivo. É preciso mostrar que não há só lado ruim. Existem muitas formas proveitosas de usar a internet.

Qual é o segredo para passar dez anos na mesma empresa?
Trabalhar em uma empresa com propósito nobre, que é oferecer soluções para que os consumidores tenham mais segurança no uso da internet e que assim possam aprender mais ou habilitar mais negócios, é um dos grandes motivadores para eu continuar na empresa.

Tornar-se CEO já estava no seu plano de carreira?
Quando me formei, não. Quando a gente sai da faculdade, nossa maior preocupação é estar empregado. Depois de passar por algumas empresas, casar e ter filhos, isso passou a ser muito importante para mim.

O que você recomenda a quem está se formando no setor?
Novas oportunidades surgem a todo momento. É importante que identifique uma área e que se apaixone por ela, sem pensar no salário. Por exemplo, recebemos um currículo de um jovem que trabalhou anos com programação. Agora está partindo para a área de segurança. Se o forte dele é programar, aqui talvez não seja o melhor espaço. Mas se quer trabalhar com segurança, aqui é o lugar certo.

Um hacker é um bom funcionário em potencial?
Em vez de usarmos hacker, que é o cara que tira um site do ar, temos na equipe muitas pessoas com alto conhecimento técnico e que conseguem fazer uma análise da tecnologia de forma muito ampla. Não podemos relacioná-las ao nome. Pelo conhecimento técnico, poderiam ser chamadas de hackers, mas não pela forma como utilizam esse conhecimento, que é para o bem, de forma produtiva.

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