Trabalhar em coworkings pode acelerar a carreira
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Trabalhar em coworkings pode acelerar a carreira

Profissionais veem rede de relacionamento e possibilidade de inovar como maiores atrativos para obter ganhos que possam impulsionar a carreira nesses locais

CRIS OLIVETTE

21 Outubro 2018 | 07h22

Luciana Serra, diretora de mídia na Acessooh. Foto: Luciano Guimarães/Divulgação

Em busca de inovação, inspiração, agilidade e aprendizado compartilhado, empresas de grande e médio porte deslocam equipes, departamentos, e até mesmo toda a operação para espaços de coworking.

Entre elas, a Acessooh, especializada em mídia e estratégia. Formada em propaganda e marketing, a diretora de mídia, Luciana Serra, no mercado de trabalho há 20 anos vive, há cinco meses vive essa experiência no CO.W.Coworking.

“Sempre trabalhei em agência de publicidade, onde as informações fluem naturalmente. No ambiente atual, porém, o compartilhamento não fica restrito ao universo da publicidade. Convivemos com outras expertises e agregamos novas informações ao dia a dia, que se tornou bem mais dinâmico.”

Segundo ela, trabalhar em coworking mantém as pessoas mais atualizadas. “Parece que estamos vivendo muito mais a modernidade, porque as informações chegam de forma veloz. Dentro de uma empresa ficamos fechados, tratando de determinado tema. Aqui, basta olhar para o lado e percebemos outros assuntos em pauta. Nem sempre temos de ir atrás das informações, elas chegam até nós.”

Yara Leal de Carvalho, diretora Abracem. Foto: F.G./Divulgação

Diretora da Associação Brasileira de Coaching Executivo e Empresarial (Abracem), Yara Leal de Carvalho confirma que está ocorrendo esse movimento no mercado. “Grandes e médias empresas estão em busca de processos de inovação ágeis e, por isso, têm olhado como jovens empreendedores trabalham. Elas colocam equipes em espaços compartilhados para obter a agilidade de startups.”

Segundo ela, o coworking atrai as companhias porque são ‘fora da caixa’, permitem mais liberdade, informalidade e colaboração. Atributos que propiciam criatividade e busca por caminhos inovadores.

Entre os benefícios para os profissionais aponta: ampliação da rede de contatos; troca e ampliação do conhecimento, que geram insights para o trabalho; flexibilidade para trabalhar de formas alternativas e sem a formalidade das grandes empresas; contato com mundos diferentes; ambiente mais alegre e descontraído, que propicia prazer, leveza e oxigenação. “Com certeza, o profissional que tem essa oportunidade terá impacto positivo em sua carreira.”

Por outro lado, Yara diz que trabalhar fora da sede pode despertar a sensação de ter sido esquecido pela empresa, ou gerar comparações com condições de trabalho diferenciadas, com percepção de perda. “Outro aspecto é o cuidado com informações sigilosas, que deve ser maior em função de ter várias empresas no mesmo espaço. Esse tipo de local também exige maior capacidade de concentração.”

Executiva de inovação na operadora de cartões Alelo, Lívia Mendonça acredita que a experiência de atuar em coworking vai acelerar sua carreira. “Vivo a relação de networking diário, conheço outros negócios, sempre tenho contato com coisas que me interessam e agregam não só para o meu dia a dia na Alelo, mas como pessoa. Interesso-me por muitos assuntos paralelos. Tudo isso ajuda a acelerar o meu desenvolvimento.”

Com a experiência de quem está no mercado de trabalho há dez anos, Lívia diz que nesse ambiente o espírito de comunidade faz diferença no dia a dia e nos relacionamentos. “A integração cria um espírito de engajamento diferenciado. Por mais que o escritório da nossa empresa em Alphaville seja moderno, estar no coworking propicia novas ideias e conexões.”

Arquiteto de nuvem da divisão Global Startup da Oracle, Fernando Ribeiro está no mundo corporativo há 20 anos e considera que a experiência no coworking é inspiradora.

“É um ambiente seguro para interagir com o pessoal mais jovem, porque eles ficam à vontade e desarmados. É o melhor local para eu trabalhar com os millennials.” Ribeiro é responsável pela gestão de startups apoiadas pela Oracle e que utilizam algumas das 50 posições mantidas no espaço compartilhado.

Flávia Maria Lopes, funcionária da CI&T. Foto: J.F. Diorio/Estadão

O ambiente de comunidade, no qual as pessoas se ajudam, fazem indicações e se mantêm interligadas, conquistou a especialista em análise digital da CI&T, Flavia Maria Lopes.

“Saímos de um ambiente bem caixinha, bem quadradinho. Aqui não há como se isolar. Temos de interagir o tempo todo. Posso conhecer pessoas com as mesmas afinidades, ou que exerçam o mesmo papel e trocar experiências, aumentando meu repertório profissional.” Segundo ela, a experiência também serve para exercitar o senso de responsabilidade. “Tive de aprender a dosar as coisas para trabalhar nesse ambiente divertido.”

Presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), José Roberto Marques diz que é importante haver, periodicamente, encontros ou atividades na sede da empresa para o profissional não perder a visão sistêmica e de engajamento com os demais departamentos e colegas.

Renato Auriemo, dono do CO.W. Coworking. Foto: Dani Sandrini/Divulgação

Estrutura

Segundo o fundador do Co.W. Coworking, Renato Auriemo, o mote do empreendimento é: Da diversidade pode surgir oportunidade. “O negócio nasceu para possibilitar que empresas e pessoas em momentos de vida diferentes pudessem conviver num mesmo local. Hoje, em nossas seis unidades temos 190 empresas. Dessas, 15% são grandes e 10% de médio porte.

Lucas Mendes, diretor geral da WeWork no Brasil. Foto: Midori de Lucca/Divulgação

Diretor-geral da WeWork no Brasil, Lucas Mendes considera que o diferencial que atrai empresas de todos os portes é a possibilidade de pertencer a rede global que conecta 268 mil pessoas em 23 países. “Temos um aplicativo semelhante a rede social para conectar os membros. Além disso, todos da WeWork têm acesso às nossas 280 unidades no mundo.”