Trabalho em equipe: competência fundamental para o profissional

Trabalhar em equipe significa criar um esforço coletivo para atingir um mesmo objetivo. É diferente da somatória de performances individuais, por mais brilhantes que sejam

Claudio Marques

25 de junho de 2014 | 10h00

Sandra Loureiro – professora da PUC e psicóloga

Há algum tempo, nesta coluna, ressaltei a importância do desenvolvimento das competências comportamentais como fator de diferenciação profissional. Tais competências caracterizam-se pelo conjunto de padrões de comportamentos e atitudes individuais que capacitam o profissional a aliar o conhecimento técnico a um comportamento individual mais produtivo.

Nesse conjunto, gostaria de ressaltar a agilidade para desenvolver trabalhos em equipe. Trabalhar em equipe significa criar um esforço coletivo para atingir um mesmo objetivo. É diferente da somatória de performances individuais, por mais brilhantes que sejam.

A Copa é um momento propício para abordarmos o tema. O futebol ilustra o conceito: cada um é craque na sua posição, mas o que importa é o objetivo em comum. A denominação trabalho em equipe surgiu nos anos 1950, mas se tornou mais popular após a década de 1970 quando a crise do capitalismo, a globalização, as tecnologias, a maior qualificação dos trabalhadores exigiram estruturas mais flexíveis e dinâmicas e novas formas de gestão.

As empresas descobriram que equipes geram sinergia e maior motivação, são mais eficientes e eficazes na adaptação às rápidas mudanças e às novas formas de trabalho, que demandam uma capacidade de se estruturar, iniciar um trabalho, redefinir seu foco e se dissolver rapidamente.

Mas, se o conceito parece simples, na prática, é um estágio difícil de ser atingido. Ele se alicerça em valores poucos cultivados, mas extremamente necessários, que representam as bases de uma nova visão que pressupõe não mais a competição como elemento motivador, mas a cooperação. Essa qualidade representa um salto de consciência, cria os fundamentos para o olhar em conjunto, as pesquisas em rede, o diálogo criativo que só se desenvolve com base em outros valores como a tolerância pelas diferenças e o respeito.

Com essas qualidades, temos novas inteligências em contato, as possibilidades de ação se multiplicam e a qualidade de saúde se alia à qualidade produtiva em um desenvolvimento sustentável e inteligente. Acima de tudo, requer a consciência de que somos elo de uma corrente, parte de um todo indivisível e dinâmico. Ganha o profissional, ganha a organização.


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