Trabalho em plataforma marítima traz desafios à saúde

Gebson Pereira de Sousa

30 de maio de 2011 | 15h42

Mesmo com piscina, sauna e quadra de esportes, uma plataforma marítima de exploração petrolífera está longe de ser uma colônia de férias. A jornada de 12 horas e o regime de 14 dias sucessivos no mar exigem esforço físico e psicológico dos trabalhadores e demandam cuidados das companhias.
Há cinco anos, o engenheiro de petróleo Antônio Clauder Alves Arcanjo, de 48 anos, vive a rotina como gerente de plataforma da P-37, embarcação da Petrobrás na Bacia de Campos (RJ). Até ser considerado apto a atuar a 180 km da costa de Macaé, passou por um rígido teste que incluía um check-up completo, cursos de segurança para trabalho no mar e três embarques sucessivos. “Quando passam por isso, alguns empregados dizem: ‘Não é para mim’”.
Os exames, segundo o médico do trabalho Antônio Fróes, da Odebrecht Óleo e Gás, são específicos de acordo com cada função. O controle médico baseia-se em estudos de risco e respeita legislações nacionais e internacionais. “É um procedimento muito complexo.”
De fato, a vida em uma plataforma não é fácil. De acordo com o psicobiólogo Ricardo Monezi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estar longe do ambiente natural e do convívio familiar podem gerar ansiedade e estresse. “A distância física pode fazer com que a pessoa desenvolva um sentimento de solidão, que pode se desdobrar em depressão.” No longo prazo, a alteração ambiental pode causar danos físicos. O especialista defende a adoção de uma vigilância médica contínua e de um cuidado que leve em conta as condições biológicas, sociais e psíquicas do trabalhador. “É um ambiente confinado e de riscos. Não há espaço para fobias”, lembra Fróes.
O Antônio da P-37, como costuma se identificar entre os petroleiros, procura ocupar o tempo com o trabalho. E tenta esquecer a saudade de casa em cooperação com os 180 embarcados. “A plataforma se transforma numa grande família”, diz, lembrando das orações em grupo e das atividades festivas a bordo. Para Monezi, ações como essas são fundamentais: “O trabalhador é um agente ativo na manutenção da sua saúde”.

O aposento de um petroleiro da plataforma P-37

O espaço não está entre as qualidades de um camarote da P-37. O engenheiro Antônio Clauder Alves Arcanjo dorme em um aposento de um metro de largura por três metros comprimento. No quarto, há pouca coisa: poltrona, mesa com telefone e rádio, TV com DVD, guarda-roupas de duas portas e um leito – regalias próprias da função gerencial. Outros camarotes chegam a ter quatro leitos. Os banheiros oferecem o espaço suficiente para a manutenção da higiene pessoal. “Só estando lá para saber.”/Gustavo Coltri, especial para o Estado

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