Transferência de cidade pela empresa deve incluir acordos claros com o funcionário
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Transferência de cidade pela empresa deve incluir acordos claros com o funcionário

Para expatriados, benefícios detalhados em contrato ajudam no processo de mudança de país ou cidade pela empresa

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10 de março de 2019 | 06h14

Bianca Zanatta
ESPECIAL PARA O ESTADO

O Peru não fazia parte da lista de lugares a conhecer da engenheira de alimentos Larissa Scattolini, de 35 anos. Transferida para Lima pela empresa de consultoria de negócios onde trabalhava, no entanto, caiu de amores pelo país. “Sair da zona de conforto e viver uma nova cultura foram fatores decisivos para que eu topasse a mudança. Só procurei antes conversar com pessoas que já viviam lá”, conta. Transferências já fazem parte do currículo de Larissa, que morou nove meses em Santa Catarina e seis meses no Ceará, também por conta da empresa.

Muitos profissionais enxergam a transferência para outra cidade ou país como uma oportunidade de aprendizado e crescimento. A experiência pode surgir a convite da empresa, quando o funcionário possui conhecimento estratégico para um projeto ou cargo, ou por iniciativa do próprio profissional, a partir da candidatura a uma vaga fora. E como se dá o processo quando os dois lados finalmente apertam as mãos?

“Existe um pacote que é padrão no mercado”, afirma Simone Cleim, VP de Recursos Humanos para a América Latina do Grupo Solvay. “Nas expatriações, é praxe a empresa garantir o visto de trabalho, dar suporte para a declaração de imposto de renda nos dois países e oferecer um subsídio para escola e moradia, além de reforço no idioma para o profissional e a família”, exemplifica.

Larissa Scattolini, que acumula experiência em várias cidades. FOTO: Felipe Rau/Estadão

No caso do Solvay, a lista de benefícios inclui um treinamento intercultural em que os hábitos do país de destino são estudados e é promovido um encontro com alguém que já tenha passado pela vivência. Na fase seguinte, há uma visita de reconhecimento do lugar e o cônjuge também recebe suporte da empresa para se recolocar profissionalmente, se tiver interesse. “Para dar certo, é fundamental que a pessoa seja flexível e aberta a realmente viver uma cultura diferente. E para isso o interesse da família é crucial.”

O engenheiro civil Fernando Bagnoli, de 64 anos, foi expatriado duas vezes, em momentos bem distintos de carreira. Primeiro partiu com a esposa e os dois filhos para Miami pela Dow Química, onde era gerente de produto. Anos depois, a extinta Quest International o convidou para presidir a área Ásia-Pacífico na China, onde viveu por dois anos e meio, desta vez só com a esposa.

Em Miami, procuraram primeiro uma escola boa para depois escolher o bairro em que iriam morar. “Lá o ensino é público e a escola se define pelo endereço das crianças”, recorda. A adaptação da família foi rápida, tanto no idioma quanto na criação de laços com a comunidade. A empresa garantia seguro-saúde, auxílio na moradia e passagens para o Brasil uma vez por ano. Por se tratar de um cargo equivalente ao que já tinha, o salário do executivo era o do mercado nos EUA. “Nem sempre a transferência está ligada a promoção ou aumento salarial. Tem de ser vista como uma experiência de vida. É um enriquecimento muito grande.”

“Se a ideia for crescimento profissional, é preciso entender quais competências serão desenvolvidas nesta nova etapa e a que funções elas credenciarão no futuro”

Já na China a vivência foi completamente diferente, a começar pela barreira do idioma. “Não havia convívio social com os chineses, as condições eram mais duras”, observa. Por conta do cargo que o executivo ocuparia, os benefícios oferecidos também foram vantajosos: salário com adicional, aluguel pago na íntegra e carro com motorista.

Segundo Felipe Calbucci, country manager do Indeed no Brasil, é importante que o funcionário defina bem seus critérios profissionais e pessoais antes de buscar uma transferência. “Se o foco é qualidade de vida, o ideal é estudar a cidade ou o país escolhido, fazendo inclusive uma visita para conhecer as pessoas, o estilo de vida e tudo o que envolve seu cotidiano”, aconselha. “Se a ideia for crescimento profissional, é preciso entender quais competências serão desenvolvidas nesta nova etapa e a que funções elas credenciarão no futuro.”

Em termos práticos, ter um contrato bem escrito é um cuidado a se tomar. O engenheiro Luiz Mario Farias, de 40 anos, que vive no Canadá com a esposa e a filha, procurou entender as diferenças de custo de vida e tributação e acordou formalmente todo o auxílio prometido.

Luiz foi escolhido pela Willis Towers Watson para liderar uma área de consultoria em investimentos no país. “Os dois primeiros anos são mais difíceis. Muito tempo é dedicado à montagem da casa, sem falar no aprendizado de coisas básicas do país, como sistema de saúde. Mas é uma expansão dos horizontes em termos culturais, além de termos mais segurança no dia a dia.”

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