Um PDV é tentador, mas pode ser arriscado aderir

Um PDV é tentador, mas pode ser arriscado aderir

REDAÇÃO

26 de julho de 2018 | 14h01

Ilustração: Gracia Lam / The New York Times

The New York Times

Trabalho numa área muito competitiva, na qual é difícil  conseguir emprego – bons empregos, pelo menos. Gosto do meu, porém minha empresa anunciou que vai demitir gente. A notícia é terrível, mas em todo caso nosso sindicato conseguiu negociar um plano de demissão voluntária (PDV). Em essência, o funcionário pode sair voluntariamente e receber uma indenização maior.

Estou estudando se aceito, mas tenho dúvidas. Gosto muito do trabalho, mas a empresa está passando por algumas mudanças que não me agradam. E o que é pior: não suporto meu chefe, e não acredito que nossa relação vá melhorar. 

Há muito quero me dedicar a um projeto pessoal, e aceitar o PDV – que me garante muitos meses de salário extra – pode me proporcionar tempo e meios para tentar isso. Entretanto, tenho medo de o projeto não dar certo e eu não arranjar outro emprego tão bom quanto o atual quando o dinheiro da indenização acabar. De Nova York.

Rob Walker, o ‘workologista’ responde

Demissão é sempre desgastante, mas você tem sorte de poder contar com essa opção de PDV. Nem todos podem. De certo modo,você parece um bom candidato ao PDV. Vamos considerar a hipótese de você se arrepender de ter deixado o emprego. Você gostaria de olhar para trás e ver que abriu mão de seu projeto pessoal para ficar abrigado num emprego no qual você não gosta do chefe? Duvido muito. Não há garantia, claro, de que seu projeto vá vingar. Ou de que você consiga voltar mais tarde à força de trabalho caso seja preciso.

Pelo menos, no entanto, viu naquele momento uma oportunidade e arriscou. É mais ou menos o risco corrido por alguém que queira aproveitar para mudar de carreira, ou por alguém que pretenda apenas guardar a indenização e arrumar rapidamente outro emprego.

Se decidir  ficar no emprego, o pior cenário para você seria a situação de sua empresa não melhorar e você ser demitido vamos dizer, daqui a um ano, sem nenhum benefício extra. Você então enfrentaria os mesmos desafios que enfrenta agora, mas com muito menos oportunidades.

Este raciocínio não implica que todo trabalhador deva optar automaticamente pelo PDV. Se você estiver perto da aposentadoria, ou precisar mais de um salário garantido que de uma indenização X, ou se simplesmente gostar do trabalho e da empresa, você pode sempre torcer para que outros aceitem o PDV e sua situação no emprego se consolide.

Uma oferta de PDV, contudo, merece sempre ser estudada. Mesmo que você não pretenda sair do emprego agora, é bom pensar no que pode acontecer se a situação de sua empresa não melhorar. Assim, atualize seu currículo e comece a considerar o que vai fazer se (ou quando) ficar sem emprego.

E, no caso de aceitar o PDV: a menos que você vá usar o dinheiro para uma finalidade específica, como começar um fundo de aposentadoria ou tirar umas férias antes de começar em outro emprego já garantido, resista à tentação de simplesmente sair gastando.

Sim, uma boa grana seguida de um bom descanso é algo muito atraente. De cara, permite a você respirar um pouco e pensar em explorar outras possibilidades. Mas você não quer olhar para trás e se dar conta de que usou o PDV apenas para ficar falando até o momento em que precisou desesperadamente arranjar novo emprego, nem de ver que aquele sonhado projeto ficou só na vontade.

Se aceitar o PDV, faça com que ele valha a pena.

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