Um pouco mais sobre o futuro do emprego e habilidades
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Um pouco mais sobre o futuro do emprego e habilidades

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27 de outubro de 2018 | 13h28

Pixabay

Por Elisabete Adami dos Santos*

Dou continuidade ao assunto enfocado no artigo passado que teve como objeto o relatório da pesquisa feita pela Oxford Martin School sobre as perspectivas do trabalho em 2030.

Como foi dito no artigo anterior e apenas retomando, essa pesquisa não seria mais do mesmo porque traz duas grandes contribuições em termos metodológicos: 1) na apropriação dos resultados para análise, soma julgamento humano com aprendizagem de máquina (machine learning), e 2) leva em consideração que os impactos que as fontes estruturais provocam nos resultados e tendências são de natureza tecnológica e não tecnológica. Essas duas formas diferenciadas de tratar um estudo desse tipo, além disso, foram quase que exclusivamente de natureza qualitativa resultado da soma da inteligência artificial com os insights humanos.

O pano de fundo para a apresentação dos resultados foi a sinalização das principais tendências para o cenário futuro, no horizonte de 2030: Sustentabilidade Ambiental; Urbanização; Aumento da Desigualdade; Incerteza Política; Mudanças Tecnológicas; Globalização e Mudanças Demográficas. Essas tendências impactam, negativa ou positivamente, setores da economia e, é em função desses impactos, e a exploração exaustiva de cada um deles, além dos dados qualitativos e quantitativos, que os resultados foram apresentados.

Como o objeto principal era o de mapear como o emprego mudará nos próximos anos e quais seriam as implicações para as habilidades, com o horizonte de 2030, vou começar aqui uma breve lista desses resultados, porém válidos apenas para os EUA.

As ocupações que vão ter demanda crescente: professores em geral, em todos os níveis; profissionais da área de cuidado animal, de cuidado e aparência pessoal; engenheiros; cientistas sociais; assistentes sociais; advogados; especialistas em serviço comunitário, religioso e social; bibliotecários, curadores e arquivistas; trabalhos vinculados aos esportes e as artes, e todas as ocupações ligadas aos serviços em geral, à mídia e as comunicações, e ao gerenciamento de qualquer coisa.

Em contrapartida, as de maior declínio são: marceneiros; metalúrgicos; trabalhadores e especialistas financeiros; operadores de instalação; montadores; trabalhadores da indústria de processamento de alimentos, extração, transporte ferroviário e madeireiras.

Como qualquer estudo desse tipo, seus resultados não podem ser automaticamente generalizados.

Assim, no próximo texto apresento os resultados para a Europa, e vamos ver como as coisas são tão diferentes.

*Professora da PUC-SP