Universidades apostam em novas graduações de tecnologia para suprir mercado
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Universidades apostam em novas graduações de tecnologia para suprir mercado

FGV e ESPM criam cursos, como ciência de dados, para contemplar necessidades atuais de empresas, tanto de startups quanto de tradicionais que precisam se atualizar

Mateus Apud

05 de outubro de 2019 | 16h00

O setor de TI é um dos que mais crescem no Brasil e, cada vez mais, tecnologia e análise de dados são forças necessárias para que qualquer negócio seja bem sucedido. Apesar disso, o mercado enfrenta escassez de profissionais capacitados. Para preencher esse gap, instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) lançaram graduações, em São Paulo e no Rio de Janeiro, para suprir a demanda.

Alavancado pela abertura de startups e da chamada revolução digital em empresas tradicionais, o mercado prevê a abertura de 420 mil vagas na área de tecnologia no País de 2019 a 2024, uma média de 70 mil por ano, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Apesar disso, diz o presidente executivo da associação, Sérgio Paulo Gallindo, as universidades formam apenas 45 mil profissionais em áreas ligadas a TI por ano.

Instituições tradicionais, como USP, Unicamp, PUC e Mackenzie, sempre contaram com graduações na área de tecnologia, como ciências da computação, engenharia de computação, análise e desenvolvimento de sistemas, além de sistemas de informação. Porém, segundo especialistas do mercado, muitos desses cursos são velhos e não foram atualizados – o curso de análise e desenvolvimento de sistemas da Unicamp, por exemplo, é de 1989. “Desse total de formandos no País, a metade está em cursos defasados em relação ao que o mercado exige hoje”, pontua Gallindo.

No Porto Digital, o mais relevante parque tecnológico urbano do Brasil, fundado há 20 anos e que hoje tem 328 empresas e faturamento de R$ 1,9 bilhão por ano, essa falta de mão-de-obra é driblada pela qualificação de profissionais de outras áreas. “O mercado de tecnologia no Brasil é muito pequeno e pouquíssimas pessoas se formam por ano. Então, contratamos muitas pessoas que não são da área de tecnologia e fazemos a conversão. Temos mais de 100 engenheiros aprendendo a programar”, diz Pierre Lucena, presidente do Porto Digital.

Na IBM Brasil, esse problema também é percebido e solucionado da mesma forma. “Os cursos de especialização, pós-graduação e mestrado são a saída hoje para quem quer entrar nesse mercado”, afirma o cientista de dados sênior da IBM Brasil, Claudio Pinheiro.

Segundo ele, sua equipe é formada por graduados de “todos os nichos”. “A caminhada do cientista de dados é diferenciada, pois é uma carreira que até um tempo atrás não existia. Aqui temos pessoas desde a área de computação e estatística até das áreas biológicas.”

Isabela Assumpção, formada em 2018 no curso tech da ESPM. Foto: Felipe Rau/Estadão

Novas graduações no País

Com inscrições para o primeiro vestibular abertas até o dia 8, a Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV EMAp) inicia, em janeiro de 2020, no Rio de Janeiro, a primeira turma na graduação em ciência de dados. Segundo o coordenador do curso, Yuri Saporito, ele nasceu “organicamente” dentro da instituição.

“Temos na EMAp o curso de matemática aplicada e começamos a perceber que vários dos alunos formados estavam indo trabalhar na área de ciências de dados, pois o mercado está procurando esse profissional. Então, vimos essa oportunidade para criar um profissional mais completo em uma graduação”, afirma Saporito.

Baseado em três pilares (estatística e matemática, computação e análise de dados), o curso quer atender a uma procura mais abrangente do mercado. “Muitos me perguntam se não é melhor fazer um curso de ciências da computação ou até de matemática aplicada. Mas o mercado vai procurar o profissional mais completo. Aqui estamos criando um profissional que vai contemplar tudo. A graduação de cientista de dados unifica as competências de um matemático e de um programador pensando nas aplicações do mercado.”

Com aulas que variam de Introdução à computação, Inferência estatística e Otimização para ciência de dados, a graduação deve capacitar o aluno a trabalhar em empresas desde startups a indústrias tradicionais que queiram modernizar seus processos, estima Saporito.

Na ESPM, em São Paulo, o curso de graduação tech foi lançado em 2014 a partir de uma reestruturação do curso sistemas da informação, com a primeira turma formada no fim de 2017.

Constituído nos pilares de desenvolvimento de games, desenvolvimento web e mobile, big data e inovação tecnológica, o curso tem conseguido uma taxa de 95% de inserção dos alunos no mercado de trabalho, conta Flávio Azevedo, coordenador do curso. “Hoje, a tecnologia faz parte de tudo e desde uma startup até uma empresa tradicional precisa de um profissional de TI.”

Formada na segunda turma de tech, em 2018, a profissional Isabela Assumpção trabalha atualmente na equipe de Gooddata da Totvs como desenvolvedora de software. Segundo ela, o mercado de TI tem muitas oportunidades e busca profissionais que entendem tanto de tecnologia como de negócios. “Não adianta mais ser aquela pessoa que só sabe programar ou só entende de negócios. Tem que saber os dois.”

Em relação às oportunidades de trabalho, Isabela admite que ela e colegas da turma da ESPM não tiveram dificuldade em conseguir emprego, tamanha a procura por esses profissionais. “As empresas procuravam a gente dentro da ESPM. A gente praticamente escolheu onde ia trabalhar. Até onde eu sei, depois de formados todos estão em empresas renomadas ou com seu próprio negócio.”

Alguns dos cursos

ESPM – tech

FGV – ciências de dados

Mackenzie – ciências da computação, engenharia elétrica e computação, análise e desenvolvimento de sistemas (EAD) e sistemas de informação

PUC – ciências da computação, engenharia de computação, análise e desenvolvimento de sistemas (EAD) e sistemas de informação

Unicamp – ciências da computação, engenharia de computação, análise e desenvolvimento de sistemas e sistemas de informação

USP – ciências da computação, engenharia de computação, análise de sistemas e sistemas de informação

* Estagiário sob a supervisão do editor de Economia, Alexandre Calais

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