Você está feliz com seu emprego. Então, qual é o problema?
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Você está feliz com seu emprego. Então, qual é o problema?

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13 Setembro 2018 | 06h54

Foto: Pixabay

“Trabalho em uma grande empresa sem fins lucrativos e numa função criativa. Meu salário é bom, como também os benefícios e tenho colegas fantásticos. O trabalho, em linhas gerais, é exatamente o que gosto. Há também vários benefícios adicionais de apoio ao crescimento pessoal (embora não os tenha usado muito).

Dito isto, o fato é que estou numa função com zero possibilidade de crescer na empresa. Meu portfólio está estagnado. Não é ruim, mas cada vez mais inexpressivo. E isto tem sido uma constante inquietação há pelo menos três anos.

Mas verdade é que não estou realmente motivada para deixar ou melhorar meu currículo. Estou satisfeita em poupar algum dinheiro, investir em meu futuro e aplicar minha energia em questões pessoais e sociais. Mas temo que minha carreira seja uma espécie de bomba relógio esperando para explodir. Como conciliar tudo isto?” – de Nova York.

Ilustração: Gracia Lam / The New York Times

Rob Walker, o ‘workologista’ responde: 

Realmente, você não está feliz e satisfeita. Se estivesse não estaria escrevendo para o workologista descrevendo uma “dor constante” e o medo de sua carreira se transformar em uma “bomba relógio”. Você faz o seu trabalho com indiferença, sem preocupação. Mas na verdade essa estagnação, como você descreve, claramente a vem perturbando.

Se você deseja que a sua inquietação desapareça, tem de fazer alguma coisa a respeito. Não significa deixar um emprego que aprecia e se lançar numa situação nova que seja um desafio criativo e ininterrupto. Mas você pode, por exemplo, buscar um trabalho dentro do atual emprego que a force a aprender coisas novas ou a impulsione.

Ou, como menciona, poderia assumir projetos pessoais paralelos relacionados a uma causa ou uma ideia pelo qual é apaixonada. Faça trabalhos de voluntariado. Comece alguma coisa por conta própria. Estabeleça um desafio pessoal para você mesma, por exemplo, de criar algo nos próximos três meses que definitivamente irá melhorar seu currículo. E depois faça tudo isto de novo.

Para ser claro, não há nada de errado com sua satisfação e não sou um defensor de mudanças só para mudar. Se tem em mãos uma coisa boa que aprecia, preserve. O perigo da satisfação, particularmente no mercado de trabalho atual, é que ela pode se transformar em complacência. Essa insatisfação que você sente é um sinal de alerta. Que ela sirva de motivação para encorajá-la antes de o hábito se transformar em rotina.

Com o tempo você perceberá que é melhor estar engajada e aprender e crescer do que sentir que está sempre fazendo a mesma coisa. Não precisa reinventar sua vida, apenas descobrir novas maneiras de tornar seu trabalho interessante. Às vezes, a melhor maneira de alcançar a real satisfação é você própria se sentir um pouco desconfortável.