Você sabe o que responder numa entrevista de emprego? Especialistas ensinam

Para recrutadores, admitir fragilidades, falar moderadamente e não contar sobre o que não foi questionado ajuda a ter sucesso em entrevista

Marina Dayrell

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Em um país com 13 milhões de desempregados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pressão de chegar a uma entrevista de emprego pode ser ainda maior para o candidato. E o que responder ao recrutador, sem perder as chances de contratação assim que abrir a boca?

Ouvimos especialistas de recursos humanos para saber o que o candidato deve fazer antes e durante a entrevista, para aposentar as respostas clichês e deixar a insegurança de lado.

“Há o mito de que o recrutador está ali para te prejudicar, para fazer pegadinha. O outro lado precisa saber o quanto a gente também quer alguém para aquela vaga. No fim do dia, o objetivo dos dois é o mesmo”, diz a diretora da Cia de Talentos, Juliana Nascimento, que trabalhou por dez anos recrutando novos funcionários. Confira as dicas a seguir.

Para recrutadores, admitir fragilidades, falar moderadamente e não contar sobre o que não foi questionado ajuda a ter sucesso em entrevista. Ilustração: Marcos Müller/Estadão

Antes da entrevista, pesquise

“A entrevista começa no momento em que você marca uma data para fazê-la”, afirma a gerente de recrutamento da consultoria Robert Half, Maria Eduarda Silveira. Ela aconselha o candidato a pesquisar sobre a empresa: valores, cultura e perfil dos funcionários.

Isso ajuda não só a entender se ela é adequada ao candidato, mas também contribui para mostrar interesse na posição quando surgir a pergunta “Por que você quer trabalhar aqui?”.

“Nenhum entrevistador vai gostar de saber que a pessoa está ali porque foi a única opção que apareceu. É importante tentar encontrar alguma conexão com a organização”, defende a especialista em atração de talentos da Cielo, Fernanda Zonta.

Livre-se de anúncios vagos

Perceber que a vaga não tem o perfil do candidato apenas no dia da entrevista é frustrante para ambos os lados. “O processo seletivo é uma via de mão dupla, não tem problema fazer perguntas sobre a posição. Pode dizer ‘Não ficou muito claro para mim qual o propósito da vaga. Posso te fazer algumas perguntas?’, aconselha Juliana.

Ninguém quer perder tempo e dinheiro se deslocando, mas Maria Eduarda acredita que ir a uma entrevista mesmo sem ter o perfil exato da vaga pode ser uma boa oportunidade. “Se isso fizer com que você conheça um novo recrutador, um gestor, uma nova cultura, pode ser benéfico para ambos os lados. Às vezes, abre outra vaga em um curto espaço de tempo.”

“Fale-me sobre você”

Para quebrar o clima e fazer com que o candidato fique mais solto, é comum que o recrutador diga ‘fale-me sobre você’. Mas a pergunta pode dar um nó na cabeça do candidato. A especialista em recrutamento e seleção da Cielo, Simone Oliveira, diz que três minutos é o suficiente para falar resumidamente sobre si mesmo. “O entrevistado tem que estar antenado. Se o recrutador está interrompendo, quer respostas mais objetivas. Se perguntar mais, é porque pode ir mais a fundo.”

É melhor falar sobre vida pessoal ou profissional? Varia de acordo com o recrutador, mas o conselho é unânime: “Não precisa se expor demais em um ambiente de avaliação”, diz Juliana.

Para vagas em início de carreira, acredita a gerente de recrutamento da startup Movile, Bárbara Camargo, cabe falar de experiência escolar, se fez parte de algum fórum, se praticava esportes. “Isso é legal para a gente entender as jornadas que a pessoa teve.”

Fernanda Zonta aponta que o candidato deve ter em mente o que fez diferença em sua trajetória para formar seu caráter, informação que vai impactar na entrevista. “E, para não correr riscos, ele pode dizer ‘vou te falar de forma resumida, se quiser mais algum detalhe, me avise’”, completa.

Para o CEO da Mappit, empresa de recrutamento para vagas no início da carreira, Rodrigo Vianna, é preciso se ater a temas mais generalistas. “Se o recrutador perguntar se tem filhos ou a orientação sexual, direcione a resposta para isso, mas no primeiro momento não tem necessidade.”

Todo mundo tem defeito

Os recrutadores concordam: não dá mais para o candidato dizer que seu defeito é ser perfeccionista. “Evite os clichês e diga pontos fracos que você tem que trabalhar. Quando a gente reconhece e sabe quais são eles, é mais fácil conseguir se desenvolver”, diz Bárbara.

Segundo Simone Oliveira, é importante o candidato demonstrar que tem consciência de suas vulnerabilidades. “Isso mostra que ele está sendo verdadeiro, reconhece que tem defeitos, mas que está trabalhando e aberto a mudar.”

Pode perguntar do salário

Para Rodrigo, não há problema em perguntar, desde que não seja a primeira pergunta. “No final da entrevista, quando o recrutador abrir para dúvidas, pergunte sobre os desafios da área, mais especificações da vaga e, por último, sobre a remuneração.”

Juliana concorda: “Tudo o que for dito com um contexto e de forma sincera não vai soar pretensioso ou arrogante. O que a pessoa pode fazer para se sentir mais confortável é dizer sua pretensão salarial e se está aberta para negociação”.

Ser autêntico tem limites

A dica dos recrutadores é que, para o processo seletivo dar certo, é preciso ser sincero e transparente. Mas sinceridade demais pode atrapalhar? Segundo os entrevistados, não há uma receita de bolo para saber esse limite, mas é preciso bom senso.

“Ter uma autenticidade dentro de um ecossistema é difícil, então você tem de ser autêntico sabendo que está sendo analisado. Existe um limite para o que você demonstra, para o jeito que faz e fala. Não deixe de ser você mesmo, mas lembre-se de que você está em uma entrevista”, sugere Fernanda.

Dá para cobrar o resultado sem ser chato

“Nós, recrutadores, tentamos sempre prezar pelo feedback, mas às vezes a vaga pode demorar um pouco a sair”, conta Bárbara. Para ela, não há problema em o candidato entrar em contato com a empresa para saber o andamento do processo, desde que o candidato não faça essa abordagem repetidas vezes.

Rodrigo sugere ser mais precavido: “Na entrevista, pergunte como é o processo seletivo e se tem uma data para o resultado porque, caso você não tenha uma resposta no prazo estipulado, é até educado perguntar se a empresa tem alguma posição. Uma pergunta feita de forma educada e cuidadosa é sempre uma boa pergunta”.

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