Volume de dados movimenta setor de TI e telecom

Claudio Marques

30 de setembro de 2013 | 16h54

O volume de informações e dados que circula em todo mundo somou, no ano passado, 2,7 zetabytes (número 1 seguido de 21 zeros), segundo a consultoria em tecnologia e telecomunicações IDC Brasil. E o mercado precisa de profissionais para trabalhar com esse mundo virtual que aumenta no dia a dia.

O gerente de pesquisa da consultoria IDC Brasil, Anderson Figueiredo, lembra que a falta de profissionais na área de TI e telecom, no Brasil, fará que neste ano em torno de 39 mil vagas não sejam preenchidas – e a projeção para 2015 é de cerca de 117 mil vagas em aberto.

Segundo Figueiredo, a procura vai mudando de acordo com a tecnologia que vem surgindo. Por isso, atualmente, a demanda é por profissionais das áreas de cloud computing (computação em nuvem, armazenar dados compartilhando computadores e servidores espalhados pelo mundo e interligados por meio da internet, mobilidade e big data (gerenciamento em grande velocidade dos dados espalhados pelo mundo).

As principais competências exigidas são qualificação técnica, alinhamento com a estratégia de negócio da empresa e fluência em inglês. “O mercado necessita de profissionais que saibam trabalhar com esses dados: engenheiros e cientista de dados, estatísticos, matemáticos e analistas.”

O especialista em recrutamento da consultoria Havik, Rodrigo Evangelista, concorda que os cargos em alta no setor estão nas áreas de mobilidade e big data. “Para atuar nesse mercado, o profissional precisa entender a linguagem técnica, saber quem será o usuário daquela aplicação. Sair do mundo técnico de programador e ir além. Ele deve ser alguém de TI orientado para o negócio.”

Trabalhando na nuvem

O estrategista na área de vendas de cloud da HP, Antonio Couto, de 47 anos, é um exemplo desse novo profissional. Ele tem uma equipe, pode-se dizer, virtual – está espalhada pelo País inteiro. “Eu comecei a estudar sozinho o que era cloud computing quando o mercado começou a falar. Percebi que não era uma onda que passaria e comecei a trabalhar nas oportunidades da nuvem”, conta.

Couto está na HP desde 2005 e, no ano passado, percebeu a necessidade dessa função no Brasil. Durante uma viagem à HP nos Estados Unidos amadureceu a ideia. Ao voltar, montou um projeto, apresentou e conquistou a função. Hoje, ele é o responsável por desenvolver estratégias para a equipe vender serviços de cloud computing.

Formado em processamento de dados, com especialização em sistemas da informação e mestrado em tecnologia e educação, Couto diz que o diferencial em sua carreira foi o constante aprimoramento. “O profissional de TI precisa estar atento a tudo que está surgindo e, principalmente, entender a aplicabilidade dessa tecnologia para os clientes e a sociedade.”

Novo profissional

Para o coordenador da Faculdade de Redes da Impacta Tecnologia o futuro da TI está no novo padrão de compra e venda de serviços de cloud. “A demanda será para especialistas em desenvolvimento de aplicações e serviços na nuvem, assim como profissionais que deverão identificar e especificar as necessidades para a melhoria da gestão de negócios”, diz.

Aos 20 anos, Caroline Silva já acumula experiência na área de TI. Formada em análise de desenvolvimento de sistemas, a jovem atua na área de suporte a produtos da Microsoft. “Eu trabalho em uma área da qual gosto bastante”, diz. Ela já trabalhou nas áreas de infraestrutura e desenvolvimento, mas gosta mesmo, segundo diz, é de suporte a produtos.

Para Caroline, o sucesso na área de TI depende de dedicação, estudo e um bom relacionamento com a equipe. “Faltam profissionais qualificados nessa área. Por isso, quero me desenvolver aqui”, conta. A jovem esteve na universidade da Microsoft, em Seattle (EUA), estudando o setor de serviços da companhia. “Voltei com mais vontade de me especializar, entender mais a respeito dos produtos que vou trabalhar para continuar em suporte.”

Para o diretor da empresa de recursos humanos Michael Page, João Nunes, não basta ser bom técnico é preciso ter visão de negócio para atuar no setor. “Um profissional com um conjunto de competências tem posição garantida no mercado.”

“Fui atraído por esse novo negócio”

O diretor da área de vendas da Hitachi Data Systems para a América Latina, Marcelo Sales, de 40 anos, atua nos conceitos que norteiam o mundo de negócios em TI atualmente : big data e computação em nuvem. “O profissional de TI precisa ter visão holística, sair do técnico e entender as demandas da sociedade, para poder gerenciar todos os dados que estão em circulação atualmente” diz.

Sales tem preocupação constante de tentar saber o que o mercado quer dele. Por isso, depois do curso de engenharia eletrônica ele fez MBA em gestão empresarial e em TI. Segundo ele, fluência em inglês e espanhol é “mandatório” para o setor, por isso, já tinha buscado essas qualificações.

O diretor acredita que a tecnologia muda de empresa para empresa, cada área tem suas especificidades, mas a abordagem – inovação, estar atento para as necessidades do mercado – não muda muito.

Segundo ele, quem está atuando no setor de TI deve estar preparado para as novas ondas da tecnologia, como o cloud computing e o big data. “Com as redes sociais e os celulares eu percebi a evolução e a necessidade de entender esse fenômeno. Sabia que teria uma quantidade maior de informações para gerenciar”, conta.

Para ele, a área de TI é a oportunidade de atuar em várias indústrias. Por isso, ele acredita que o profissional precisa se especializar e entender o contexto econômico e social. “Eu sempre tive a preocupação de estudar para entender a evolução e aqui na Hitachi eu tenho apoio para me desenvolver.”

Sales tem mais de 17 anos de experiência em empresas de tecnologia e está na Hitachi há mais de um ano. Segundo ele, um dos motivos que o levaram para a empresa foi a possibilidade de trabalhar com tecnologias associadas a big data: gerenciamento e dados. “O que me atraiu na companhia foi a nova fronteira, trabalhar em um negócio que está nascendo”, diz.

Oportunidades em 4 G e TV por assinatura

“Hoje, com empresas empresas investindo em 4G e em TV por assinatura, há grande pressão para contratar engenheiros de telecomunicações. Não há excedente em oferta desse profissional”, diz Nunes da Michael Page.

CEO da Talk Telecom, engenheiro eletrônico e de telecomunicações, Alexandre Dias, de 41 anos, concorda.
“É uma área que já soma 268 milhões de celulares. Há espaço para quem está preparado.”
O profissional de telecomunicações mantém a comunicação entre as centrais realizada por meio de fibras óticas, cabos, antenas e voz.

Dias começou a carreira no momento da privatização da telefonia no País. “Fui trabalhar em consultoria de sistemas e, depois de quatro anos, abri uma empresa de consultoria, me especializei em rede de dados. Hoje, a empresa é especializada em voz na rede.”

A diretora de RH da Claro, Renata Prudente, diz que hoje existe muito mais vaga do que profissional habilitado. “Já é notório o gap existente no mercado, especialmente para os engenheiros de telecom. Estes profissionais, além de poucos, já entram no mercado com um piso salarial alto, o que muitas vezes dificulta a contratação.”

Evolução

O especialista na área de GPRS (transmissão de dados por meido da rede de celular) da Claro, Alexandre Martins, de 37 anos, diz que o mercado, principalmente em telefonia móvel, está em constante evolução.

“Desde que eu entrei na companhia, já foram quatro tecnologias de rede diferentes lançadas: TDMA, depois veio o 2G (GSM), em seguida o 3G (UMTS) e agora o 4G”.

Martins acredita que este é um mercado com muitas oportunidades de trabalho, tanto pelo lado do fornecedor quanto pelo das operadoras.

“O que aumenta a empregabilidade é esta constante evolução das redes e dos serviços, que faz com que a demanda por mão de obra qualificada seja sempre necessária”, afirma.

Ele ressalta, porém, que o profissional precisa estar atento a estas evoluções e procurar sempre se atualizar, para não correr o risco ficar “obsoleto”.

“Uma coisa é certa: é um mercado extremamente dinâmico e o profissional deve estar sempre atento às novas tecnologias e às inovações”, completa.

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