Workologista: Resistir às ‘vaquinhas’ no trabalho? Talvez não

Workologista: Resistir às ‘vaquinhas’ no trabalho? Talvez não

Claudio Marques

23 de janeiro de 2018 | 06h58

Ilustração: Gracia Lam/The New York Times

 

Tenho um comentário sobre o seu recente conselho a respeito de resistir à pressão do escritório para fazer uma vaquinha para um presente a um colega de trabalho que está se aposentando ou foi promovido (“Como resistir às pressões pela vaquinha para um presente no escritório”). Um dos piores erros relacionados ao trabalho que eu jamais fiz foi não ir a um almoço de despedida para um colega que estava ondo embora.

Eu era novo no trabalho, então eu conhecia a pessoa há menos de três dias, e o custo da refeição iria devastar meu orçamento. Eu deveria ter pago de qualquer forma. Ser percebido pelos outros como um estranho deixou-me muito vulnerável no que acabou por ser uma cultura intensamente política, e me privou de aliados.

Eu odeio a ideia de gastar dinheiro suado para homenagear alguém que eu não conheço ou gosto. Mas é uma barganha em comparação com o fato de permitir que os outros terem pensado que eu não jogava para a equipe. Melhor ficar sem dinheiro hoje do que ser dispensado mais tarde; as pessoas não esquecem.

 Por Elisabeth, Queens

Rob Walker, o ‘workologista’, responde:

Nossa. Este é um ótimo (mas entenda como horrível) exemplo de como uma decisão logicamente sensata pode acabar sendo o movimento errado. Eu ainda acredito que você tem todo o direito de excluir despesas extracurriculares relacionadas ao trabalho que não fazem sentido para você – mas você deve julgar o que isso pode custar no longo prazo, o que variará de acordo com o local de trabalho.

Neste caso, com apenas alguns dias de trabalho, isso teria sido difícil de deduzir. Talvez valha a pena fazer reparos à postura do workologista para avisar que, se você ainda estiver se acostumado ao novo trabalho, você deve considerar aderir às normas aparentes até se sentir confiante quanto à cultura do escritório.

Mas isso também ressalta a necessidade de os gerentes garantirem que essas atividades sejam coordenadas de forma cuidadosa. Certamente seus patrões não queriam um almoço de despedida para fazer com que um funcionário novo se sinta condenado ao ostracismo.

Não é de se surpreender que os organizadores de eventos ou gestos comemorativos não pensem em potenciais efeitos colaterais negativos de participar ou não. Mas fazer isso evitaria que a celebração de hoje deixe duradouras dores de cabeça. Tradução de Claudia Bozzo

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