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‘Brasil tem que dar passo à frente’, diz Standard & Poor’s

Agência diz que País não voltará atrás, mas precisa olhar para o futuro

Carla Miranda

22 de julho de 2010 | 17h23

A Standard & Poor’s, agência de classificação de risco que primeiro elevou o Brasil ao patamar de grau de investimento – ou seja, deu o atestado de que dá para confiar nos papéis que o governo emite – considera que as conquistas econômicas do País estão praticamente consolidadas, mas é preciso ir mais longe.

“Não podemos pensar apenas que o Brasil não vai dar um passo atrás, mas tem que dar um passo à frente”, afirmou Regina Nunes, presidente da S&P no Brasil, durante uma teleconferência internacional organizada pela empresa Ernst & Young sobre oportunidades de investimento no País.

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A afirmação veio após uma pergunta, feita pela mediadora do evento, sobre as eleições de outubro. Outros participantes afirmavam que havia pouca ou nenhuma diferença entre os candidatos à Presidência.

Nunes disse, então, que não se deve preocupar apenas com o governo federal, mas também com a Câmara e o Senado, uma vez que depende dos parlamentares a aprovação de medidas para “uma economia mais dinâmica e mais competitiva”.

Ela não citou especificamente nenhum projeto de lei, mas comentou que o sistema tributário é muito complexo e prejudica particularmente as empresas médias. Enquanto as pequenas têm o Simples e as grandes contam com uma posição mais favorável no mercado, as médias não têm nem um benefício e nem o outro.

Onde investir

Todos os cinco participantes do evento apresentaram dados ou argumentos que mostram o País como um mercado atraente para investidores estrangeiros. “O Brasil vai ser a quinta maior economia do mundo em dez anos”, disse Hector Tundidor, sócio-líder de Transações Corporativas da Ernst & Young.

“O retorno dos investimentos tem superado as expectativas”, afirmou Francisco Valim, da empresa de serviços de informação Experian. Para ele, a Copa do Mundo de 2014 será “uma boa razão para atacar de frente” os problemas de transporte, trânsito e segurança. “É uma grande oportunidade para os investidores focarem dentro do País”, afirmou.

Álvaro Gonçalves, presidente do Grupo Stratus, disse que os setores de telecomunicações, infraestrutura, tecnologia da informação, educação e saúde “são muito atraentes” e oferecem “oportunidades de consolidação”.  

Desafios

Entre os participantes do evento, houve consenso de que as leis tributárias e trabalhistas são um entrave aos investidores. Um desafio que atinge particularmente os estrangeiros é lidar com a cultura local.

“Se você quer fazer negócios no Brasil, tem que falar o idioma [português]. Ao fazer uma aquisição, tenha um [parceiro] local”, recomendou Valim, da Experian. “Existem diversas culturas dentro do País; às vezes, uma mesma empresa tem estratégias completamente diferentes para cada região”, afirmou Luiz Eugenio Junqueira Fiqueiredo, diretor de operações da Rio Bravo Investimentos.

Longo prazo

Hector Tundidor, da Ernst & Young, observou que, no passado, seus clientes “tinham visão de curto prazo”. “Hoje, eu digo para olhar no longo prazo. Eu já vi gente comprar [uma empresa] na alta, vender na baixa e mais tarde recomprar mais cara.”

Essa fase de grande atratividade de investimentos estrangeiros “está só começando”, na avaliação de Álvaro Gonçalves, do Grupo Stratus.

Regina Nunes, da S&P, faz uma ressalva: “O Brasil tem oportunidades únicas hoje. Mas não se esqueça dos riscos”.

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