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‘Financial Times’ vê problema em estádio do Corinthians e na CBF

Blog mantido pelo jornal insinua que CBF favoreceu o clube escolhido

Carla Miranda

31 de agosto de 2010 | 17h34

O blog “Beyond Brics”, mantido pelo jornal britânico “Financial Times”, publicou um artigo que lista três problemas relacionados ao estádio do Corinthians a ser construído para a abertura da Copa de 2014, em São Paulo, e critica a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).  

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O texto diz que o motivo maior de preocupação é o atraso. Segundo o autor, o jornalista Andrew Downie, especialistas em infraestrutura afirmam que a construção de um estádio leva cerca de 30 meses. Fora isso, há o tempo necessário para avaliar os impactos sobre o meio ambiente e sobre a população residente no entorno.

“Isso significa que, mesmo se a construção começar amanhã, o estádio não ficará pronto até o final de 2012, o prazo estabelecido pela Fifa”, afirma o artigo.

Outro problema citado é o preço: construir a nova arena a partir do zero custará R$ 350 milhões, sendo que a reforma do estádio do São Paulo estava avaliada pelo dobro do preço.

O “Financial Times” disse no título do artigo que o estádio estaria “caro”, o que tem sido citado em outros sites brasileiros, mas não foi essa a ideia que o autor do texto quis dar. Downie explicou ao Radar Econômico que considera “estranho” a construção de um estádio ser mais cara que a reforma de outro já pronto. O título  do post do “Financial Times” foi corrigido.

“É assim que as coisas são feitas na CBF”, afirma o texto. “Mas isso também representa uma jogada pesada de [Ricardo] Teixeira [presidente da CBF], que, talvez não por coincidência, é um aliado de [Andrés] Sanchez [presidente do Corinthians] e um adversário do São Paulo Futebol Clube”, acrescenta.

Um terceiro problema apresentado no texto é o tamanho do estádio, com capacidade para 48 mil pessoas. A exigência da Fifa é de que o local de abertura da Copa comporte pelo menos 65 mil. No Morumbi, cabem 75 mil.

Andrew Downie, que chegou ao Brasil há 11 anos como correspondente da revista norte-americana “Time”, hoje faz reportagens para vários jornais e revistas estrangeiros e é um crítico da forma como o Brasil está conduzindo seus preparativos para a Copa e para as Olimpíadas. Veja entrevista que ele concedeu ao Radar Econômico dia 18 de agosto.

Leia o artigo no blog Beyond Brics, do “Financial Times” (em inglês)

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