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‘Petrobrás é mais que um negócio’, diz ‘FT’ em editorial

Além do editorial, jornal traz manchete e artigos sobre o Brasil

Carla Miranda

28 de setembro de 2010 | 14h10

Atualizado às 15h58

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Quem vê a primeira página do “Financial Times” nesta terça-feira, 28, pode ter a impressão de que se trata de um jornal brasileiro. Com duas diferenças: usa o idioma inglês e é menos crítico em relação ao governo.

A principal notícia da capa – a manchete, no jargão jornalístico – é uma declaração do ministro Guido Mantega (Fazenda). No alto da folha, a foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ilustra o principal artigo opinativo do dia. O primeiro editorial analisa a oferta de ações da Petrobrás. E há, ainda, um outro artigo sobre o câmbio no Brasil.

A imprensa internacional, especialmente o “Financial Times”, tem publicado uma enxurrada de reportagens sobre o Brasil. Normalmente, no entanto, elas trazem elementos que as caracterizam como um conteúdo exótico ou pelo menos diferente da notícias diárias. Aparecem na forma de cadernos especiais ou em artigos pontuais. A diferença desta edição do “FT” é que País aparece na forma de uma notícia do dia, no lugar onde poderia haver uma nota sobre, por exemplo, o premiê britânico.

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A manchete desta terça-feira havia sido adiantada ontem no site do “FT” e registrada neste Radar Econômico. Ela traz a análise de um gestor da Nomura Securities, em Nova York, segundo a qual os investidores estão testando o governo brasileiro. Eles compram reais para ver até que ponto o Poder Executivo consegue ficar sem mexer no câmbio.

O artigo sobre o câmbio respalda a declaração de Mantega de que o mundo vive uma “gerra cambial”. Diz Allan Beattie, autor do texto: “Todo mundo está pensando isso, mas Mantega, o ministro brasileiro das finanças, foi uma das poucas autoridades a admitir isso”.

O texto sobre Lula também foi adiantado no site e neste blog ontem. O artigo tenta desvendar o segredo do culto ao presidente Lula. “Os mitos de Lula e Mandela têm algo em comum. Em ambos os casos, uma força pessoal fundiu-se com uma história nacional”, opina Gideon Rachman (saiba mais).

Petrobrás

O editorial do “FT” afirma que a antiga expressão “rico como um argentino”, muito usada em Paris há um século, quando o país sul-americano era uma das dez maiores economias do mundo, deveria ser substituída por “rico como um brasileiro” – “dada a oferta de ações da Petrobrás na semana passada”.

Para o jornal, a capitalização da Petrobrás “é mais que um grande negócio. É um marco do crescimento da presença financeira internacional do Brasil”.

O jornal chega a dizer que há um “imperialismo corporativo lusofônico”, representado por empresas como Vale, JBS e Itaú Unibanco.

A conclusão do “FT” é de que o mercado brasileiro aparece para cobrir o vácuo deixado pela fuga dos investidores britânicos. “Fundos de hedge ameaçam fugir de Londres para praças com taxas menores, mas a City não precisa entrar em pânico. Os brasileiros estão vindo como uma alternativa”.

Imprensa mundial aborda Mantega

As declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre o que ele considera uma “guerra cambial internacional” tiveram ampla repercussão na imprensa internacional, não se restringindo à manchete do “FT”.

Além deste, também publicaram a notícia, ainda que com menor destaque, o “Wall Street Journal”, a BBC News, o site da revista “Fortune”, o jornal canadense “Globe and Mail”, o britânico “Telegraph” e a agência Bloomberg, entre outros veículos de comunicação.

Leia a reportagem que é manchete do “FT” (em inglês)

Veja o editorial do “FT” sobre a Petrobrás (em inglês)

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