As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Abutres’ acusam Cristina de pacto com ‘demônio’ do Irã

Publicidade em jornais dos EUA seria financiada por força-tarefa de lobistas

Gustavo Santos Ferreira

04 de junho de 2013 | 22h01

“Fundos abutres” (fondos buitres) credores da Argentina acusam a presidente Cristina Kirchner de aliança com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

“Pacto com o demônio?”, questiona publicidade veiculada nesta terça-feira, 4, no Washington Post e em outros jornais da capital dos Estados Unidos – a mesma pergunta foi feita pela The Economist em janeiro.

Esses “fundos abutres” compram títulos de dívida de empresas ou países quebrados. Alguns credores, cansados de esperar tanto tempo para receber o que lhes é devido, aceitam vender o direito de cobrar essas dívidas por preço abaixo do que valem. Assim, os “abutres”, com grande dívida a ser cobrada em mãos, comprada por uma ninharia, pressionam a empresa ou o país devedor.

cristina_ira.jpg
Pacto? ‘Abutres’ acusam Cristina (FOTO: REPRODUÇÃO/CLARÍN)

Sabe-se lá quando receberão o que cobram. Mas, certamente, os “abutres” ganharão bolada bem superior à baixa quantia que pagaram lá atrás aos credores impacientes.

Cristina e Ahmadinejad foram chamados nos jornais de Washington de “aliados vergonhosos”. “Chegou a hora de impedir que a Argentina continue transgredindo a lei dos Estados Unidos e a lei internacional”, defende o material reproduzido logo acima.

De acordo com o jornal argentino Clarín, a ação foi financiada pelo grupo ATFA. Seria uma força-tarefa de lobistas que agem em nome do fundo NML – do megainvestidor americano Paul Singer e de outros sócios menores.

Os “fundos abutres” travam longa batalha contra o governo argentino, cujo ápice foi em novembro. Juiz de Nova York condenou o país a pagar US$ 1,3 bilhão a dois fundos que não aceitaram calote parcial de dívida decretado em 2001. Dias antes, um navio escola argentino foi apreendido num porto de Gana, na África, para garantir a quitação de dívidas.

O objetivo da campanha é alertar legisladores, diplomatas e acadêmicos americanos – ou seja, “abutres” pressionam a Argentina com arranhões à sua reputação. Eles acusam o governo de Cristina de desrespeitar o direito internacional.

Essa nova tática dos “fundos abutres” se fundamenta em fatos recentes. Em março, deputados argentinos aprovaram polêmico acordo com o Irã. Uma Comissão da Verdade reverá as investigações do ataque terrorista à Associação Mútua Israelita-Argentina (Amia) ocorrido em 1994. Morreram 85 pessoas no episódio antissemita. A justiça argentina pede hoje a extradição de oito iranianos suspeitos. Mas essa decisão agora poderá ser revogada com o desenrolar dos acontecimentos.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.