As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Economista traça plano para tirar o euro da Alemanha

Faz parte do plano fechar os bancos no dia do anúncio das mudanças

Carla Miranda

29 de novembro de 2011 | 14h44

barracas_frankfurt_manifestantes_occupy_efe_mauritz_antin_29112011.jpg

Enquanto alguns economistas quebram a cabeça para achar uma solução para o euro, um acadêmico alemão traçou um plano para extirpar de seu país a moeda única europeia. O site do jornal italiano “La Reppublica” noticiou o caso.

O economista Dirk Meyer, da Universidade de Hamburgo, pensou em uma forma de criar uma moeda apenas para a Alemanha ou outros países europeus que, na opinião dele, estão em melhores condições econômicas.

Pelo que foi noticiado, a transição não seria nada suave. A primeira medida seria o fechamento do mercado bancário no dia do anúncio. A segunda, a impressão das notas de euro com um timbre, indicando que aquela moeda fora emitida pela Alemanha ou por outros países economicamente estáveis, como Áustria, Holanda e Findlândia.

Por último, a criação de um novo nome para a moeda, que não precisaria voltar a se chamar marco.

A notícia do site “La Repubblica” foi indicada pelo professor de economia Alcides Leite, colaborador do Radar Econômico, que comenta abaixo:

“Dada a intransigência da postura da primeira ministra alemã, Angela Merkel, em relação à unificação fiscal da zona do euro, surgem boatos e até informações mais confiáveis, de que a Alemanha está desenvolvendo um plano para separar a zona do euro em duas partes distintas.

O que parece estar acontecendo é a tentativa da Alemanha de “limpar” a zona do euro. Isto, porém, é bastante arriscado. Primeiro, politicamente, pois levaria os demais países europeus a se afastar da Alemanha, situação já vista em vários momentos do século passado. Depois, economicamente, a própria Alemanha pode perder um mercado importante para ela. Hoje, dois terços das exportações alemãs vão para a zona do euro. A expulsão dos países da periferia do euro traria à população dessas nações grande aversão aos produtos alemães.

Além disso, a separação da zona do euro entre dois blocos levaria a uma corrida bancária contra os países que ficariam no bloco dos ruins. A dívida destes países, denominada em euros comuns, cresceria muito, levando-nos à falência e ao fechamento político.

A história mostrou que as tentativas alemãs de impor sua opinião aos demais países europeus sempre acabou mal. No início, mal para os demais países, mas, no fim, mal para a própria Alemanha.”

Alcides Leite é professor de economia na Trevisan Escola de Negócios e inspetor-analista concursado do Banco Central. Autor de “Brasil: A trajetória de um país forte”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.