As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ações da PT e da Vivo sobem; papéis ligados à Oi despencam

Empresa anunciou venda da operadora Vivo e compra de parte da Oi

Carla Miranda

28 de julho de 2010 | 09h50

Atualizado às 14h25

zeinal_bava_portugal_telecom_lula_ae_16072009.jpg
PRESENTE. Zeinal Bava, presidente da PT, dá a Lula camisa do jogador de futebol português Cristiano Ronaldo durante visita ao Brasil em 2009 (foto:Ed Ferreira/AE)

 

A julgar pelo comportamento dos investidores do mercado financeiro, os negócios que a Portugal Telecom anunciou nesta quarta-feira, 28, foram bons para a empresa lusa e para a brasileira Vivo, mas ruins para a Oi.

A companhia lisboeta disse que fechou acordo para vender sua fatia no controle da Vivo (que é de 50%) à Telefónica e comprar 22,38% da Oi.

—-
Siga o Radar Econômico no Twitter: @radar_economia
—-

As ações da Portugal Telecom na Bolsa de Lisboa fecharam em alta de 2,81% nesta quarta-feira, 28. As do Banco Espírito Santo, maior acionista da Portugal Telecom (com 7,99% de participação), subiram 3,56%.

No mercado brasileiro, o papéis da Vivo operavam em alta de 4,23% por volta das 14h10, e os da Oi (Telemar) desciam 8,01%.

Antes da abertura da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e, portanto, analistas ouvidos pela imprensa estrangeira elogiaram a venda do controle da Vivo e apontaram que, no caso da compra de parte da Oi, o preço pago foi alto.

Oi: maior acionista da PT?

O site do jornal português Diário Económico afirmou que, pelo acordo, a Telemar, dona da marca Oi, pode adquirir uma participação de até 10% da Portugal Telecom, tornando-se, assim, o maior acionista da companhia lusa.

COTAÇÃO AGORA
Portugal Telecom
Telefónica
Vivo
Oi / Telemar

Pelo acordo, a PT terá o direito de nomear um diretor e um representante no Conselho de Administração da Telemar Participações e dois membros em órgão equivalente da Tele Norte Leste, empresas do grupo da Oi. 

Segundo o Estadão de hoje, o acordo entre a PT e a Oi teve o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Analistas

O analista Pedro Pinto Oliveira, do banco português BPI, disse ao jornal britânico Financial Times que a compra de 23% da Oi pela Portugal Telecom embute um prêmio de 2,5 bilhões de euros, “uma enorme quantia para se pagar por uma participação minoritária sem controle ou sem controle compartilhado”.

Os especialistas David Strauch e Frédéric Doussard, do banco francês Oddo Securities, afirmaram em nota, publicada parcialmente no Diário Económico, que o valor do negócio com a Oi é mais elevado do que eles estimavam, o que dará à PT “uma margem de manobra menor para gerar retorno aos seus accionistas ou para reforçar a sua participação em determinados activos africanos (em Angola, por exemplo)”.

Eles ressalvaram, no entanto, que os dados divulgados “parecem ser relativamente positivos para as ações da Portugal Telecom”.

João Pedro Brugger, do fundo de investimentos Leme, afirmou ao Wall Street Journal que o negócio foi bom para a Oi, porque, com o dinheiro novo, “a companhia poderá melhorar o perfil da sua dívida”. O mesmo diário relatou que a Vivo revelou sua meta de dobrar o número de cidades cobertas pelo seu serviço.

Já um artigo do Financial Times resume desta forma o negócio: “Todas as partes vão se considerar vitoriosas. A Telefónica pode finalmente fundir a Vivo com a Telesp, sua a rede de telefonia fixa no Brasil. A Portugal Telecom foi vendida por um preço estrondoso. Até o obstrucionista governo português pode tirar a sua casquinha: A PT vai ficar no Brasil (como Lisboa insistia) por meio da compra de uma participação na operadora Oi”.

 

Fato relevante

Veja as notas divulgadas pelas empresas sobre os acordos:

Portugal Telecom anuncia venda da Vivo

PT informa sobre compra de parte da Oi

Informe da Oi aos acionistas sobre a PT

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.