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Alemanha faz um dos leilões mais fracos da histórica do euro

Poucos investidores apostam nos títulos que são considerados referência na Europa

Carla Miranda

23 de novembro de 2011 | 16h51

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A Alemanha, maior economia da Europa e possivelmente a única em condições de ajudar as demais da região, fracassou em seu leilão de títulos públicos desta quarta-feira, 23, informa a imprensa internacional.

Dos 6 bilhões de euros em papéis com vencimento em dez anos que o país colocou à disposição do mercado, investidores se interessaram por apenas 3,644 bilhões, que ofereciam um rendimento médio de 1,98%.

O site do “Wall Street Journal” lembrou que essa demanda foi “uma das mais fracas” desde a introdução do euro, em 1999. À agência Bloomberg, um analista da Southwest Securities, nos Estados Unidos, definiu o evento como um “desastre”.

Entre especialistas, há a interpretação de que a crise “atingiu o coração da Europa”, como afirmou ao “Journal” um analista do Bank of New York Mellon em Londres. Mas há também a convicção de que “o leilão reflete uma falta de confiança no ‘projeto euro’, não tanto na Alemanha”, nas palavras de um porta-voz da Danske, também publicadas no “WSJ”.

De qualquer maneira, se os investidores não estão comprando papéis nem da Alemanha, aumentam as preocupações sobre futuros leilões nos países periféricos da Europa, avaliou Mark Grant, da Southwest Securities.

‘Yields’

A palavra inglesa “yield” tem sido usada com frequência nos últimos dias mesmo em textos dirigidos a leigos. O termo denota o rendimento que determinado título oferece ao seu portador. Um yield alto mostra que investidores estão exigindo muito para comprar determinado papel; em outras palavras, indica que os compradores não têm muita confiança naqueles títulos.

O que preocupa os investidores, políticos e todos os que não estão entusiasmado com a crise (porque há pessoas favoráveis a ela) é o fato de os yields terem subido muito na Europa nas últimas semanas.

Pode-se alegar que os yields refletem apenas a percepção do mercado a respeito de determinado papel. Por exemplo, um yield alto significaria que os investidores desconfiam de um título, mas não que tal papel mereça desconfiança. No limite, os analistas poderiam estar errados, de modo que esses títulos se revelassem, no futuro, bons investimentos.

O problema é que, uma vez que os yields de um título estão altos, não importa se a desconfiança tem fundamento, os países que emitem tais papéis podem ter dificuldade para continuar se financiando e rolando a dívida, de modo que a falta de confiança se torna uma profecia autorrealizável.

Na atual crise, um yield de 7% tem sido um divisor de águas. Quando os títulos de Portugal, Grécia e Irlanda superaram esse patamar, esses países precisaram recorrer à ajuda internacional.

Veja como estavam os yields europeus na tarde desta quarta-feira, segundo dados do “Wall Street Journal“.

PAÍSYIELD
Portugal11,016
Itália6,952
Espanha6,617
Bélgica5,487
França3,662
Holanda2,647
Noruega2,428
Alemanha2,085
Reino Unido2,007
Suécia1,645

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