Análise: investidor paga para ver ação do governo no câmbio
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Análise: investidor paga para ver ação do governo no câmbio

Se governo não agir, estrangeiros comprarão mais reais, diz analista

Carla Miranda

27 de setembro de 2010 | 15h12

Mantega acusa EUA e Japão de fazer guerra comercial e cambial

 

Os investidores internacionais estão comprando reais para ver até que ponto o governo brasileiro continuará sem atuar com mais força no câmbio, segundo avalia o economista Tony Volpon, diretor de Pesquisas para Mercados Emergentes nas Américas da Nomura Securities, em Nova York.

A análise de Volpon foi publicada dentro de uma reportagem que o site do “Financial Times” publicou com destaque na primeira página na tarde desta segunda-feira, 27, dando repercussão a declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

“Há um vão entre a retórica e a ação [do governo]”, disse Volpon ao jornal, argumentando que as ameaças do governo de intervir no câmbio tiveram pouco efeito sobre o real. “Se o governo continuar sem agir, vão continuar testando-o e levando mais dinheiro ao Brasil”, afirmou o analista da Nomura.

O jornal disse que os profissionais do mercado veem a possibilidade de o governo intervir no câmbio de três formas, não necessariamente nesta ordem:

– fazer o “swap” cambial reverso (o que equivale a comprar dólares no mercado futuro), expediente que não é usado há 18 meses;

– aumentar a taxa para investidores estrangeiros (criada em outubro do ano passado, atualmente é de 2% por transação);

– usar o Fundo Soberano para comprar dólares.

A reportagem lembra que o Banco Central comprou US$ 1 bilhão por dia nas últimas duas semanas, dez vezes a média diária. O objetivo foi absorver os dólares que entraram no País por causa da capitalização da Petrobrás.

O texto, assinado por Jonathan Wheatley, explica que os investidores têm uma rentabilidade em torno de 0,5% ao ano quando compram títulos em dólar. Já os papéis da dívida brasileira em reais pagam 10,75% ao ano.

Leia a análise no site do “Financial Times” (em inglês)

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