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Bolsa fecha em baixa de 3,4% após dívida da Grécia virar ‘lixo’

Serviços de informação financeira destacam que títulos da Grécia viraram 'lixo'

Carla Miranda

27 de abril de 2010 | 16h19

Atualizado às 17h37

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Ato contra aperto fiscal nesta terça em Atenas (foto: Yiorgos Karahalis/Reuters)

A crise que preocupa investidores e derrubou bolsas na Europa nesta terça-feira não se restringe à Grécia e a Portugal, mas a todo o sistema do euro, uma vez que há risco de contágio para outros países da região, segundo analistas ouvidos por serviços de informações financeiras.

O cenário internacional afetou, consequentemente, a Bolsa de Valores de São Paulo, cujo principal índice, o Ibovespa, fechou em queda de 3,43%, aos 66.511 pontos. A cotação do dólar comercial encerrou o dia com alta de 1,15%, a R$ 1,765 na venda.

Nesta terça-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota da Grécia e de Portugal, ambas para o nível mais baixo da história de cada um dos países. Isso significa que, na avaliação da agência, aumentou a chance de os governos dessas nações não conseguirem pagar seus credores.

Veículos de comunicação como Financial Times, MarketWatch e Bloomberg destacam que a Grécia virou “junk”, o que, no jargão do mercado financeiro, quer dizer que aplicar no país passou a ser uma atividade especulativa, e não mais um investimento. Ao pé da letra, o termo pode ser traduzido como “lixo”. O jornal El País usa a versão espanhola da palavra para se referir à dívida da Grécia: “bono basura” (“título lixo”).

O ministro das Finanças de Portugal chegou a afirmar que “os mercados não vão serenar amanhã”, como informa o site local Diário Económico.

Em entrevista ao jornal francês La Tribune, o diretor geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, afirmou: “Se eles [os gregos] não receberem ajuda, eles ficarão em uma situação insustentável. Eu não digo que ajudá-los será fácil. Será difícil. É preciso que os gregos tenham presente o espírito de que o redesenho das contas públicas, após anos de derrapagens consideráveis, será penoso e difícil”.

Já o ministro das Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, disse, por meio de comunicado escrito, que o país não sofre risco de colapso. “O rebaixamento do rating de crédito do nosso país […] não reflete o real estado da economia grega nem o progresso na posição fiscal básica”, diz o documento.

 

Saiba como especialistas estrangeiros veem os problemas da Europa:

. “Não é mais um problema da Grécia ou de Portugal, mas de todo o sistema do euro”. Eric Fine, do fundo Van’s Eck’s G- 175 para mercados emergentes, em declaração à Bloomberg

. “O [medo de] calote de um grande país da Europa Ocidental […] reacende o risco por todo lugar. Se você não mitiga esse risco, recomendo não mexer com dinheiro.” Peter Boockvar, da Miller Tabak, ao site MarketWatch

. “Ninguém na Europa está colocando na mesa a quantidade total de recursos necessária para cobrir todas as necessidades da Grécia.” David Beers, da Standard & Poor’s, à Bloomberg

. “Portugal tem um baixo nível de poupança nacional, o que torna mais difícil e mais caro, para o governo, financiar seu déficit.”  Luigi Speranza, do BNP Paribas, ao Financial Times

. “[Mas] O problema não é Portugal em si, que está em uma situação fiscal muito melhor que a Grécia, mas a possibilidade de que a crise grega contagie Portugal e então, muito mais seriamente, a Espanha.” Frase de um banqueiro de Lisboa ao Financial Times (o jornal não o identifica)

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