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Artigo na revista Fortune recomenda moratória à Grécia

Opinião é de que custo de pagar dívida é maior do que o de não pagar

Carla Miranda

25 de maio de 2010 | 15h36

Um artigo publicado na revista norte-americana Fortune vai na mão oposta da opinião geral analistas de mercados: sugere que no atual momento da Grécia, o custo de pagar a dívida acaba sendo pior do que as conseqüências que o país terá se não pagar.

“Se as condições dos empréstimos [que a Grécia tomou] trazem tanta agonia quanto se prevê, por que não deixar a obrigação de lado – da mesma forma como fizeram milhares de norte-americanos sobrecarregados em dívidas – em vez de tomar ainda mais empréstimos para pagar dívidas?”, pergunta o autor do texto, Dody Tsiantar.

Segundo ele, a Grécia, para honrar seus compromissos, terá que tomar medidas tão severas que especialistas já estão achando que o governo não terá interesse em levá-las adiante. Além disso, “os profundos cortes de gastos públicos, a intensa redução de salários e o aumento das taxas levarão a economia para uma espiral recessiva”, afirma Tsiantar.

O articulista cita a opinião de uma professora de economia internacional, Carmen Reinhart, da Universidade de Maryland: “Há moratórias e moratórias”. O caso da Argentina em dezembro de 2001 deixou o país sem conseguir captar recursos no exterior. Já o do Uruguai em 2003 foi resultado de um “acordo cordial com seus credores para reestruturar a dívida, e o país se recuperou rapidamente”.

Apesar dos problemas que a Argentina sofreu (o desemprego chegou a 20% e o Produto Interno Bruto caiu 15%), o autor ressalva que o país conseguiu crescer 9% em 2004 e turismo, particularmente, foi beneficiado.

No caso da Grécia, o país pode ser forçado a abandonar o euro, devolvendo a política monetária às mãos do governo. A adoção de moeda própria, desvalorizada, poderia ainda atrair mais turistas em busca de preços baixos, na opinião do articulista.

Leia o artigo no site da Fortune (em inglês)

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