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Autoridade da internet acusa EUA de bloquear domínios ‘.com’

Presidente de entidade diz que sofreu pressão para tirar do ar 100 sites

Carla Miranda

24 de fevereiro de 2011 | 10h20

Atualizado às 13h09

marcelo_branco02_.jpgMarcelo Branco (foto), novo colaborador do Radar Econômico, fez um podcast no qual chama atenção para uma reportagem que saiu no jornal “El País”.

Ouça o podcast: arquivo de áudio

Órgãos do governo dos Estados Unidos exercem pressão para que a instituição responsável pela gestão da internet bloqueie determinados sites, segundo Stéphane Van Gelder, presidente da GNSO, entidade com o objetivo de promover o desenvolvimento de políticas para a internet e estimular a participação internacional no gerenciamento técnico da rede.

A GNSO faz parte do Icann (“Internet Corporation for Assigned Names and Numbers”), instituição que coordena os endereços na internet (letras e números que os internautas têm que digitar para encontrar sites e computadores conectados à rede).

Segundo Van Gelder, a GNSO sofreu pressão de órgãos dos EUA como Interpol, FBI e polícias estaduais para bloquear o acesso a cerca de cem domínios “ponto com” sobre os quais recaem suspeitas de uso criminoso.

“Alguns eram sites dedicados à pirataria, mas muitos outros não tinham nada de ilegítimos. Por exemplo, com a desativação do domínio moon.com, acusado de abrigar conteúdo pornográfico, foram bloqueados por erro 84 mil sites que dependiam desse domínio e que não tinham nada a ver com esse tipo de prática”, afirmou Van Gelder.

As acusações dele foram feitas em uma entrevista à Agence France Presse e posteriormente publicadas no jornal “El País”. 

O jornal não expõe o ponto de vista do governo dos EUA sobre o assunto. Procurado por este blog, o Departamento do Comércio norte-americano ainda não deu sua posição oficial.

Leia as reportagens do jornal “El País”:

Autoridade da internet acusa EUA de ‘sequestrar’ domínios

EUA bloqueiam por erro 84 mil sites 

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Marcelo Branco foi, por três anos, diretor geral da Campus Party Brasil, maior encontro de comunidades de internet do mundo. Ele também coordenou a Associação Softwarelivre.org e fundou o “Projeto Software Livre Brasil”. Nas eleições, coordenou a estratégia nas redes sociais da então candidata Dilma Rousseff.

Twitter: @MarceloBranco http://twitter.com/#!/MarceloBranco

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