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Banco vê ‘euforia’ no mercado após morte de Kirchner

RBS acredita, no entanto, que a euforia dê lugar a uma análise mais cautelosa

Carla Miranda

27 de outubro de 2010 | 14h48

Atualizado às 17h23

O banco britânico RBS (Royal Bank of Scotland) divulgou uma análise na qual afirma que há uma “euforia” no mercado com a morte do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner.

Houve uma “enorme corrida” pelos títulos públicos argentino após a morte de Kirchner”, relata o RBS. Mas o banco não defende esse comportamento dos investidores, e sim afirma que “a euforia inicial deve diminuir e dar lugar a avaliações mais cuidadosas sobre as implicações e as perspectivas de mudança de regime no próximo ano”.

Na avaliação do RBS, “mesmo com as recentes mudanças no sentido de normalizar as relações com os credores externos, o legado da administração Kirchner claramente reflete intervencionismo no mercado e antagonismo ante o setor privado”.

Ações disparam em NY

Os ADRs (papéis negociados nos Estados Unidos que representam ações de outros países) de empresas argentinas na Bolsa de Nova York deram um salto de mais de 10% depois da morte de Kirchner, observou a “Bloomberg. A Bolsa de Buenos Aires não funcionou devido a um feriado nacional.

Segundo a agência de notícias, especuladores acreditam que o desaparecimento do ex-presidente argentino pode levar o país a uma redução dos gastos públicos e maior estabilidade econômica. A “Bloomberg” usou o índice MSCI Argentina para medir a evolução dos ADRs argentinos.

A mesma agência, em outra reportagem, afirma que a morte de Kirchner gerou expectativa de que parlamentares da oposição ganhem as próximas eleições e modifiquem a atual política de administração da dívida do país. Para a “Bloomberg”, o ex-presidente conduziu “a mais dura reestruturação da dívida desde a Segunda Guerra”.

Analistas

Ao “Financial Times“, o chefe de pesquisas para a América Latina da Standard Chartered disse que a tendência no curto prazo é de volatilidade no mercado de capitais argentino, mas acrescentou: “Isso é de certa forma positivo para os títulos públicos e para a perspectiva econômica porque impulsiona as chances da oposição, que é mais responsável fiscalmente e está em mais consonância com o mercado”.

Na mesma linha, Sara Zervos, gestora internacional da Oppenheimer, afirmou ao site do “Wall Street Journal“: “As coisas ficarão bagunçadas na medida em que haverá uma briga por poder. Mas, no longo prazo, o mercado vê isso como a primeira oportunidade clara para uma mudança positiva e significativa na Argentina”.

Para o blog “The Americas”, da revista “The Economist“, “Kirchner preencheu um vácuo [político] no país não por meio da construção de instituições, mas por seu próprio trabalho incansável”. “Agora, o vácuo retornará”, afirma o blog.

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