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Bancos dos EUA nadam em dinheiro, mas não emprestam

Volume de depósitos bate recorde, mas bancos não têm para quem emprestar

Carla Miranda

25 de outubro de 2011 | 14h57

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Mais um efeito esquisito e trágico da crise financeira nos Estados Unidos.

Depois de o “Washington Post” noticiar que alguns bancos estavam demolindo as casas dos devedores e doando os terrenos, para não gastar com impostos, o “New York Times” aparece com uma reportagem segundo a qual as instituições financeiras estão cheias de dinheiro, a ponto de tentar afastar alguns clientes – e, mesmo assim, não emprestam os recursos.

“Os banqueiros têm tido um problema estranho esses dias: estão inundados em dinheiro”, afirma o “Times”. O volume de depósitos, que já vinha aumentando, subiu mais nos últimos meses devido à crise na Europa e atingiu o recorde de US$ 8,9 trilhões.

Segundo o jornal, a população, com medo do que poderá acontecer com a economia, tem guardado o dinheiro no banco, que, por sua vez, não o empresta, seja porque também está inseguro com a economia, seja por não encontrar tomadores confiáveis que estejam dispostos a assumir riscos neste momento.

O diário cita o caso do Wells Fargo, que recebeu US$ 41,8 bilhões em depósitos no terceiro trimestre, mas só destinou a novos empréstimos US$ 8,2 bilhões.

“Normalmente, em um ambiente [econômico] mais robusto, a entrada de depósitos seria usada para financiar novos negócios, planos de expansão e compra de imóveis. Mas na frágil economia de hoje, a massa de dinheiro novo está fazendo pouco para gerar crescimento”, analisa o jornal.

Antes da crise, os bancos disputavam clientes, oferecendo brindes como iPods e taxas de juros de 3% ao ano no CD (equivalente ao CDB no Brasil). Agora, correntistas depositam o dinheiro e aceitam receber juros de apenas 0,25% ao ano porque “é melhor não ganhar nada do que perder”, segundo um consultor ouvido pelo “Times”.

Migalha

Os bancos não encontram “tomadores de empréstimo qualificados”, nas palavras do dono de uma pequena instituição financeira. Por isso, têm feito aplicações “em troca de migalha”, diz a reportagem, investindo “em títulos ultra-seguros, como papéis garantidos pelo governo”.

Como a taxa básica de juros está praticamente zerada, as instituições financeiras ganham muito pouco com esses papéis. “O que os banqueiros chamam de spread [diferença entre o que eles pagam aos credores e o que cobram dos devedores] está sendo esmagado – eles estão ganhando menos dinheiro para cada dólar que têm em mãos”, conta o jornal.

“É muito difícil, para nós, fazer algum spread significativo em cima desses depósitos”, disse ao diário o presidente do Hyde Park Savings Bank, instituição financeira que baixou juros pagos no CD e se livrou de mil clientes.

“Se você não pode pôr esse dinheiro para girar, o que fazer com ele? Você está enviando extratos mensais, você tem funcionários nas agências. Tudo isso tem custo”, disse um analista, explicando por que alguns bancos têm até evitado determinados clientes.

Para o “Times”, essa pressão sobre o spread é “uma ameaça[aos bancos]  maior até do que as novas regras de regulação financeira”.

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