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Bancos são grandes beneficiados com acordo, mas terão lição de casa

Ações de instituições financeiras da França e da Alemanha têm forte alta

Carla Miranda

27 de outubro de 2011 | 12h30

Atualizado às 15h19

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Quem tinha 100 mil euros investidos em ações de bancos franceses ou alemães ontem, hoje pode ganhar, por baixo, 10 mil euros se vender os papéis.

Os bancos “voluntariamente”, como se tem dito, abriram mão de 100 bilhões de euros que o governo grego lhes devia. Em reconhecimento à benevolência dos banqueiros, se poderia pensar, os investidores resolveram recompensá-los comprando suas ações. Afinal, são os papéis de bancos os grandes destaques das bolsas de valores europeias nesta quinta-feira, 27.

SAIBA MAIS: Ações de grandes bancos europeus sobem mais de 20%

As instituições financeiras francesas – as que mais emprestaram para os gregos e, portanto, as que mais papéis têm a ser jogados fora – são as que apresentam melhor desempenho no mercado de ações nesta quinta, um dia após o acordo, segundo dados do site do “Financial Times“.

Os papéis do Crédit Agricole e do Société Générale em alta de mais de 20%; os do Banco Nacional de Paris, o maior da França, subiram 17%.

Na Alemanha, as ações do Deutsche Bank saltaram 15%, e as do Commerzbank, 8%. Na Itália, as ações do Unicredit, subiam 7%, e as do Intesa Sanpaolo, 10%.

Socorro

O acordo só foi fechado depois de uma conversa entre o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e a diretora gerente do FMI, Christine Lagarde, com o representante do lobby do setor financeiro, de nome Charles Dallara.

Após a conversa, ficou acertado que os bancos abririam mão de metade do valor de face dos papéis da dívida grega em posse de bancos.

Mesmo assim, investidores compram papéis de instituições financeiras porque agora, mesmo com essas futuras perdas, os setor financeiro tem um enorme escudo: os recursos do fundo de estabilização financeira, feito para salvar bancos e países, que serão elevados para 1 trilhão de euros.

Ou seja, o Estado ainda não salvou diretamente os bancos, mas, caso algum desses que têm títulos da Grécia por acaso venha a ter problemas, há um colchão pronto para amortecer a sua queda. Economistas afirmam, no entanto, que esse fundo, ainda que ajude a acalmar os mercados em relação ao problema da Grécia, não seria suficiente para evitar um problema semelhante na Itália.

Lição de casa

O colchão à disposição dos bancos tem um preço. As instituições financeiras da União Europeia vão ter que correr atrás de dinheiro no mercado, a pedido da Autoridade Bancária Europeia (ABE).

Cada uma terá que apresentar à ABE até o Natal um plano para captar recursos, e sob regras mais duras do que as atuais, informa a Bloomberg. Juntos, eles precisarão obter 106 bilhões de euros.

Só os bancos da Espanha, um dos países problemáticos, terão que levantar 26 bilhões de euros. O Santander e o BBVA, juntos, terão que captar 21 bilhões, como detalha o site “El País“. Os bancos da Itália, outro país com problema de dívida, deverão obter 14,8 bilhões. Já os franceses terão levantar apenas 8,8 bilhões de euros, segundo o “Financial Times“.

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