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BBC demite 25% e atinge serviço em português; ‘El País’, 18%

Empresa britânica obedece decisão do governo; espanhola quer competitividade

Carla Miranda

26 de janeiro de 2011 | 10h52

 Atualizado às 12h09*

Dois dos principais veículos de comunicação da Europa anunciam demissões de uma fatia expressiva do seu quadro de funcionários, totalizando 3.150 baixas.

A rede pública de televisão, rádio e internet BBC (British Broadcasting Corporation), do Reino Unido, vai mandar embora 25% dos empregados de seu serviço internacional, enquanto o Prisa, grupo espanhol que detém o jornal “El País”, cortará 18% do seu pessoal (2.000 na Espanha e 500 em Portugal e nas Américas).

As demissões da BBC não atingem o Brasil. Porém o conteúdo em português será reduzido porque os cortes incluem os serviços destinados à África lusófona, informa a agência de notícias Lusa. Além dessa unidade, serão excluídos funcionários da Albânia, Macedônia e Sérvia de televisão. No rádio, foi excluído conteúdo em azeri, mandarim, russo (com exceção de alguns programas), espanhol para Cuba, turco, vietnamita e ucraniano.

A BBC tem 2.400 funcionários, dos quais 650 devem ser desligados da empresa. Até o momento (antes de as demissões se efetivarem), a companhia produz conteúdo em 32 idiomas.

Os cortes obedecem uma decisão do governo do Reino Unido de cortar gastos públicos para amenizar os efeitos da crise pela qual passa o país. A meta da BBC é reduzir despesas em 16%; a companhia tomou decisão de cortar 20% dos gastos, para garantir o cumprimento da meta mesmo se houver imprevistos. Os 20% planejados equivalem a uma economia de 46 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 122 milhões) até abril de 2014.

A companhia projeta que, devido aos cortes, a audiência mundial caia em 30 milhões de pessoas, em relação ao total atual de 180 milhões. No primeiro ano após os cortes, a empresa quer poupar 19 milhões de libras. O orçamento total é de 236,7 milhões.

‘El País’

No caso do grupo Prisa, que é privado, o objetivo dos cortes é reduzir custos para aumentar a competitividade com as empresas internacionais de comunicação. Segundo a “Folha”, o Prisa possui, no Brasil, as editoras Moderna, Objetiva e Richmond, além da Fundación Santilla, de incentivo à cultura.

‘O Estado do Paraná’

No Brasil, o jornal “O Estado do Paraná” vai abolir sua versão impressa, publicada há 59 anos. O diário terá apenas a edição online.

O colega Evandro Fadel, aqui do Estadão, conta que o diário paranaense perdeu metade da sua tiragem nos últimos cinco anos, passando de 50 mil exemplares por dia para cerca de 25 mil. “Os jornais tradicionais, de mais porte, principalmente os regionais, sofrem, são muito dependentes do poder público. É um absurdo imprimir, empacotar, distribuir e levar para Foz do Iguaçu, chegando às 7 horas”, disse a Fadel o dono do jornal, Paulo Pimentel, ex-governador do Paraná.

*Correção: o total de demissões na BBC e no ‘El País’ é de 3.150, e não de 1.115, como arifmava incorretamente este texto. As demissões no jornal espanhol somaram 2.500, e não 500. Os erros foram corrigidos às 11h10.

Leia a nota oficial da BBC sobre o corte de funcionários

Veja o comunicado divulgado pelo Prisa, do ‘El País’

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