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BC agiu tarde para controlar a inflação, diz ‘Economist’

Nayara Fraga

18 de abril de 2013 | 17h49

Fernando Nakagawa, correspondente

O Banco Central (BC) agiu tarde para controlar a inflação. A avaliação está em uma reportagem publicada na nova edição da revista britânica The Economist que chega às bancas nesta quinta-feira. Com o título “Atrás da curva”, a matéria diz que o BC “age tardiamente para trazer os preços de volta ao controle”.

“Um Banco Central sabe que perdeu o controle das expectativas de inflação quando o aumento de preços vira motivo de piada. No Brasil, as piadas foram com o tomate que ficou muito caro após inundações, secas e o aumento nos custos do frete”, diz a reportagem. “Mas os números publicados em 10 de abril mostram que o problema da inflação vai muito além da salada. Os preços subiram 6,6% durante o ano passado últimos 12 meses, rompendo a faixa de tolerância da meta do BC”, diz a reportagem, ao lembrar que mais de dois terços dos preços consultados para o cálculo da inflação subiram em março.

Uma das razões para o BC ter mantido o juro estável por tanto tempo, diz a reportagem, era a leitura de que a inflação era alimentada por pressões transitórias, como a moeda mais fraca e o pico dos alimentos.

Diante do cenário, a Economist diz que o aumento do juro anunciado ontem foi “tardio” e em um momento em que a economia não dá sinais de força. “Menos empregos estão sendo criados. A produção industrial e o Índice de Atividade Econômica caíram em fevereiro. O núcleo das vendas no varejo caiu pela primeira vez em quase uma década, um sinal particularmente preocupante dado que apenas o consumo doméstico manteve o Brasil fora da recessão em 2012”.

Para a revista, ainda que tardio, o aumento do juro “sugere que o BC reconhece que precisa recuperar alguma credibilidade perdida”. “Sua independência operacional tem sido questionada desde agosto de 2011, quando cortou as taxas mesmo com a inflação em 7,1% – e manteve os cortes mesmo com a inflação acima da meta”, diz. “A presidente Dilma Rousseff tem alardeado, desde então, que as taxas de juros mais baixas são uma ‘conquista’ do governo”.

A reportagem diz, ainda, que a inflação alta tem atingido especialmente as famílias de menor renda, o que pode prejudicar Dilma nas eleições de 2014, diz a revista.

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